Conversas grupo SIMAB

Revitalizar os mercados mantendo o tradicional

Consultor da SIMAB. DR
Consultor da SIMAB. DR

SIMAB tem trabalhado com as câmaras para regenerar estes locais, mas continuando a apostar na venda de produtos agroalimentares.

Os mercados municipais não são esquecidos pelos consumidores, apesar de as grandes cadeias de distribuição alimentar estarem em contínua expansão, até com a chegada de novos grupos estrangeiros. Ciente da sua importância, a Sociedade Instaladora de Mercados Abastecedores (SIMAB) tem reforçado a revitalização dos espaços, apostando numa modernização que não esquece questões como as alterações climáticas, mas sempre mantendo a génese e tradição dos mercados.

João Tiago Carapau, responsável pelo desenvolvimento da área de consultoria da SIMAB em termos nacionais e internacionais, explicou como não se pode dissociar um fenómeno muito relevante quando se fala de revitalização dos mercados municipais: “A explosão que o turismo trouxe no mercado imobiliário.” Este tipo de mercados tem normalmente localizações privilegiadas, o que faz que algumas intervenções se tenham centrado na atração turística. “Por exemplo, o Mercado da Ribeira. As funções de mercado municipal que lá estão são residuais. É algo que funciona muito bem, é um ótimo exemplo, mas não deixa de ser um espaço meramente de restauração. Não há uma ligação por natureza com os produtores que lá estavam, nem com o que é a produção local.”

A SIMAB prefere seguir outro caminho nos mercados onde trabalha: “Tentamos que continuem a ser polos comerciais de venda a retalho de produtos agroalimentares e que possam ter algumas funções complementares em termos de restauração, ou de outros equipamentos e funções.” Os primeiros projetos remontam ao final do século XX, numa altura em que a SIMAB alargou a sua área de intervenção, até então mais centrada nos mercados abastecedores, sendo a gestora do de Braga, Lisboa, Évora e Faro.

O período da troika trouxe outros desafios, mas a aposta na revitalização de mercados municipais é novamente forte. “Com a possibilidade de crescimento económico e com a determinação em recuperar esse processo estratégico e político de articulação da SIMAB como um instrumento e um pilar fundamental nas cadeias de distribuição, voltou-se a renovar a iniciativa”.
Faro, Loulé, Bragança, Portalegre, Ponta Delgada e Beja são alguns exemplos, com São João da Madeira a ter atualmente um projeto em desenvolvimento, com mais trabalhos a serem desenvolvidos com câmaras como a de Odemira, Leiria e Peniche. E também a de Lisboa.
João Tiago Carapau destacou que existe um “tripé” que inclui três pontos de suporte para revitalizar os mercados: estrutural (“no fundo a obra de arquitetura e engenharia”), comunicação e capacitação.

Neste último as pecto, a SIMAB e a Câmara de Lisboa promoveram, no ano passado, um curso para gestores destes mercados em Lisboa, algo que a SIMAB pretende levar a outros pontos do país, sem esquecer que é também importante apoiar os operadores. Um segundo curso está já a ser preparado.
E, com as alterações climáticas em mente, a SIMAB também se prepara para apostar numa lógica de green market. “O nosso trabalho é no sentido de que estes equipamentos públicos estejam preparados no futuro para duas questões: a mitigação, descarbonização, e aí trabalhamos em soluções mais amigas do ambiente, como equipamentos mais eficientes a nível energético, por exemplo. Depois há a chamada componente da adaptação, ou seja, temos de criar condições para que os operadores do mercado se adaptem ao que vai ser a alteração do clima, como trabalhar com coberturas mais verdes e com sistemas de gestão de água mais eficientes.”

João Tiago Carapau é responsável pela consultoria da SIMAB. Foto: Direitos reservados

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