Conversas PortoBay

“Saímos da crise sem recorrer ao acionista nem ao Estado”

António Vieira Monteiro, presidente do Santander Portugal. (Fotografia: Pedro Rocha/ Global Imagens)
António Vieira Monteiro, presidente do Santander Portugal. (Fotografia: Pedro Rocha/ Global Imagens)

Para tal contribuiu a sua posição conservadora de seguir padrões de alta qualidade na análise de risco de crédito, disse o presidente do Santander.

O banco Santander saiu da crise financeira de 2011 sem recorrer ao acionista ou ao Estado português. Para isso contribuiu a sua posição conservadora de seguir padrões de alta qualidade na análise de risco de crédito, disse António Vieira Monteiro, presidente do Santander Portugal, por ocasião da última entrevista pública da iniciativa 30 Portugueses, Um País, evento promovido pelo grupo hoteleiro PortoBay.

Ele próprio, enquanto presidente, não tem direito a vetar as decisões relativas à concessão de crédito que são sempre coletivas. Outro caminho seguido foi a implementação de um sistema de captação de depósitos que, segundo António Monteiro, correu bem.

“Foi uma política forte de controlo do risco de crédito, dos custos e da liquidez que fez que ficássemos imunes ao que aconteceu na banca”, resumiu, respondendo ao advogado Daniel Proença de Carvalho, o convidado especial sentado entre a assistência.

Tal como os outros, o Santander também teve de sair da lama porque era um banco muito alavancado, com muita dívida pública. “Sofremos, mas conseguimos pagar dividendos e tirar uma parte para aumentar o capital”, disse orgulhoso.

As recentes aquisições, como uma parte do Banif (para terem presença nas ilhas) e do banco Popular (para entrarem num novo segmento de crédito a empresas), não teriam sido possíveis sem estar garantida a saúde financeira da instituição espanhola “dirigida por portugueses em Portugal”, como fez questão de sublinhar. “Há dez filiais onde o grupo Santander aposta e Portugal é uma delas.”

Isso de “estarmos a perder os centros de decisão nacionais” é uma “falsa questão” para o banqueiro que é apenas gestor, mas que, disse gracejando, não se importava de ser dono de um banco, ou seja, “banqueiro” à moda antiga. O que precisamos é de perceber se essas empresas que vêm para Portugal cumprem as suas obrigações, obedecem às normas e contribuem para a economia do país. E defendeu: “Nesta economia global temos de ter empresas globais que mantenham os centros de decisão aqui.”

A oportunidade não podia passar sem que o anfitrião desta iniciativa, Bernardo Trindade, administrador do grupo hoteleiro PortoBay e ex-secretário de Estado do Turismo, levantasse o delicado tema dos lesados do Banif. Mas a resposta não demorou. Em vez de desculpas, o presidente do banco que adquiriu parte do Banif mostrou estar interessado na solução: na primeira proposta apresentada para aquisição do Banif, o Santander assumia o pagamento das obrigações subordinadas em dívida.

“Por força da resolução fomos impedidos de pagar aos obrigacionistas subordinados.” Mesmo assim procuraram formas de compensar os ditos lesados. “Criámos um produto que permite que os lesados possam recuperar 75% do seu dinheiro num prazo de dez anos.”

“Estava determinado: o meu caminho era a banca”, disse António Vieira Monteiro, apesar de se ter formado em Direito. Estagiou na agência de Almada do Banco Português do Atlântico onde aprendeu contabilidade – “era fundamental, mas custava a quem vinha da Faculdade de Direito”. Há seis anos é presidente da unidade portuguesa do banco Santander Totta.

Como será a banca daqui a dez anos? Haverá bancos, lança Luís Osório, o jornalista e escritor que modera estas conversas que acontecem todas as semanas no Hotel PortoBay Liberdade, em Lisboa. “Os bancos têm mais de 2000 anos, têm um passado pesado, passaram por tudo, não é possível viver sem bancos.” Agora, defende, “têm de ter capacidade de se adaptarem”. Há dois tipos de clientes: os que não se adaptam às tecnologias digitais e os que já nasceram com elas.

O Santander, juntamente com a escola de negócios da Universidade Nova (Nova SBE), criou um laboratório digital que põe a pensar tanto o banco como professores e alunos da universidade. “As agências bancárias no futuro serão totalmente diferentes, mas estão assentes num novo conceito que consegue chamar as pessoas ao banco.”

O ciclo de conversas 30 Portugueses, Um País começou em maio de 2018 e termina em fevereiro de 2019. Os encontros com portugueses que se destacam, e que darão origem a um livro editado pela Guerra e Paz, a publicar no final de 2019, são sempre à terça-feira, às 18.00, na Rua Rosa Araújo, em Lisboa.

Para a semana temos encontro marcado no dia 30 de outubro e o convidado é o fundador da empresa de torrefação de cafés Delta, o comendador Manuel Nabeiro.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Ricardo Mourinho Félix, Secretário de Estado Adjunto e das Finanças. 
( Filipa Bernardo/ Global Imagens )

“Cidadãos não vão tolerar situações que ponham estabilidade financeira em risco”

Ricardo Mourinho Félix, Secretário de Estado Adjunto e das Finanças. 
( Filipa Bernardo/ Global Imagens )

“Cidadãos não vão tolerar situações que ponham estabilidade financeira em risco”

Lisboa, 22/11/2019 - Money Conference, Governance 2020 – Transparência e Boas Práticas no Olissippo Lapa Palace Hotel.  António Horta Osório, CEO do Lloyds Bank

( Filipa Bernardo/ Global Imagens )

Horta Osório: O malparado na banca portuguesa ainda é “muito alto”

Outros conteúdos GMG
“Saímos da crise sem recorrer ao acionista nem ao Estado”