Indústria 4.0

Saúde 4.0: mais eficiência e produtividade

(Adelino Meireles / Global Imagens)
(Adelino Meireles / Global Imagens)

A aplicação de soluções de saúde 4.0 permite ganhos de produtividade e redução de custos que, extrapolados para o sistema público, podem levar a aumentos de produtividade significativos.

Aumentos de produtividade na ordem dos 10% no uso dos aparelhos de radiologia e poupanças de milhões de euros na gestão de um laboratório hospitalar são dois dos resultados dos casos de estudo analisados no estudo de caso desenvolvido pela Católica Porto Business School a pedido da COTEC.

A plataforma Teamplay, desenvolvida pela Siemens, permite interligar todos os equipamentos de imagiologia e radiologia de um laboratório. “Funciona como um dashboard que permite ver o que está a acontecer em cada uma das máquinas e perceber, no final do dia, quantos exames foram feitos em cada máquina, a duração de cada um”, explica Ricardo Gonçalves, o coordenador do estudo.

O objetivo é utilizar os dados para otimizar a produção e permitir uma melhor calendarização dos exames. “Se no fim do dia virmos que numa determinada máquina foram feitos 100 Raio X mas na do lado foram feitos 110 podemos tentar perceber quais foram as razões para isso e tentar otimizar o fluxo de utentes”, afirma Ricardo Gonçalves.

Partindo de um exemplo da implementação do Teamplay numa clínica grega, onde foi reportado um aumento da produção de 10% ao nível das TAC e Ressonâncias Magnéticas, o exercício de extrapolação passou por tentar perceber como é que as instituições do SNS poderiam beneficiar com esse incremento na produção. “A possibilidade do incremento do número de exames diários pode levar, por exemplo, a um menor tempo de espera para a realização de determinado exame. Noutra perspetiva, se um hospital estava a dar a possibilidade aos utentes de realizarem os exames no setor convencionado, se puder aumentar a produção, vai poupar esses custos”, refere Ricardo Gonçalves.

“A Teamplay consolida os dados de produção numa única plataforma o que permite a análise dos KPM de forma intuitiva e em tempo real. Com isso permite que o Estado tenha capacidade de fazer uma gestão integrada e de conseguir mais eficiência”, afirma Ivan Christo França, diretor da Divisão Diagnostics da Siemens Healthcare. Outra das vantagens do Teamplay apontada pela Siemens, mas que não foi verificada pelo estudo da Católica Porto Business School, é o melhor doseamento da dose de radiação através da otimização dos protocolos.

A reestruturação do laboratório de patologia clínica do Hospital de Vila Franca de Xira foi outro dos casos analisados no estudo. A funcionar em regime de PPP desde 2012, o hospital entregou a gestão do laboratório ao Grupo Germano de Sousa.

“A gestão de um laboratório médico hospitalar é algo muito especializado”, sublinha José Germano de Sousa, médico patologista e administrador do Grupo Germano de Sousa, que também gere o laboratório do hospital de Braga. No caso do hospital de Vila Franca de Xira, a reestruturação passou pela criação de efeitos de escala tanto na aquisição de equipamentos e materiais, como na área dos recursos humanos e realização de análises. “As análises mais complexas passaram a ser feitas no laboratório externo da Germano de Sousa em Lisboa que dá total apoio ao hospital. Só fazemos em Vila Franca aquilo que se justifica fazer pela necessidade médica e até de rentabilidade local”, explica o responsável pelo Grupo.

Houve também uma otimização do método de prescrições, através de um sistema eletrónico de controlo. “É a chamada engenharia da prescrição, que permite que eu possa ter o controlo das redundâncias: se eu tenho um doente que já fez análises de manhã, não vai repetir as mesmas análises à tarde. Passa-se o mesmo a nível mensal”, exemplifica José Germano de Sousa.

A partir da evolução do custo médio por análise no Hospital de Vila Franca de Xira, a equipa da Católica Porto Business School fez a comparação com o custo em hospitais semelhantes. “A poupança é na ordem dos milhões de euros mas o valor concreto ainda não pode ser revelado”, garante Ricardo Gonçalves.

Jorge Portugal: Década de inovação tecnológica

Jorge Portugal alerta para a existência de obstáculos no sistema de saúde que podem limitar o acesso generalizado às soluções inovadoras que vão surgir na próxima década.

Uma saúde mais conectada é uma saúde com soluções mais seguras e acessíveis?
A inovação na “saúde conectada” permite criar novas soluções nos processos de prestação de cuidados de saúde de forma remota, maximizar a utilização dos meios e recursos, e facilitar novos modos, mais flexíveis, de ligação entre os prestadores de cuidados e os seus destinatários. A Saúde 4.0 promete condições operacionais de maior segurança do paciente, rastreabilidade nos processos, a otimização da gestão da capacidade instalada e o cumprimento da qualidade dos processos e dos regulamentos.

Há vantagens para a gestão das unidades de saúde públicas?
Tornar a gestão do inventário da farmácia hospitalar em tempo real com base em “identificadores” digitais poderia reduzir nove horas por turno no processo de preparação e ministração de medicamentos, 6% do tempo de enfermagem dedicado a esta tarefa. Nos serviços de imagiologia, estima-se um aumento de produtividade, com redução dos tempos de espera acima dos 10% e nos custos globais de prestação do serviço. Os dois casos demonstram que é possível ter maior segurança, rastreabilidade e cumprimento de normas.

Este tipo de soluções é oportunidade para novos negócios?
Na próxima década irá surgir uma nova onda de inovação tecnológica em serviços digitais de saúde, os quais anteciparão riscos, alertarão para incidentes e necessidades de intervenção de forma personalizada e em tempo real, 24 horas por dia, todos os dias do ano. Estes serviços serão baseados em algoritmos de inteligência artificial alimentados por plataformas de recolha, organização e integração de uma diversidade de dados pessoais, incluindo a estrutura genética do paciente, representações multidimensionais de imagiologia digital, historial de saúde e da informação recolhida em tempo real. No entanto, existem barreiras que poderão limitar a sua acessibilidade à generalidade da população e a sua potencial escala.

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