Revolução 4.0

Saúde conectada para maior segurança e rapidez no SNS

Foto - Leonardo Negrao Apresentacao do novo Hospital de Cascais Dr. Jose Almeida
Foto - Leonardo Negrao Apresentacao do novo Hospital de Cascais Dr. Jose Almeida

As tecnologias de informação têm um papel cada vez mais importante nos cuidados de saúde. Além da segurança e rapidez, aumentam a rastreabilidade dos processos.

Em Portugal vive-se cada vez mais mas não necessariamente melhor. De acordo com o relatório desenvolvido pelo Ministério da Saúde e pelo Observatório Europeu de Sistemas e Políticas de Saúde em 2016, 22% dos utilizadores do Serviço Nacional de Saúde (SNS) sofrem de três doenças crónicas, com o número a ultrapassar as cinco em 4% dos utentes. Os desafios de uma população cada vez mais envelhecida implicam uma modernização do sistema de saúde, com um foco maior no doente e nas tecnologias de informação.

A pedido da COTEC, a Católica Porto Business School desenvolveu um estudo de caso sobre saúde conectada, em que analisa quatro exemplos e as vantagens da sua transposição para o SNS. “Tentámos fazer um exercício de extrapolação que permitisse perceber que benefícios poderiam ocorrer a nível do SNS”, explica Ricardo Gonçalves, coordenador do estudo.

Um dos casos em análise foi a implementação do sistema de codificação GS1 no Hospital de Cascais. Esta solução implica a colocação de um codificador que permite fazer o rastreamento do medicamento desde que entra na farmácia hospitalar até ser administrado ao doente. “Há um sistema centralizado que está permanentemente a acompanhar o circuito: onde é que o medicamento está, para onde é que está a caminhar, se é administrado ao utente correto, na hora e dose certas. É esta a grande inovação”, assegura o coordenador do estudo, que destaca os maiores níveis de segurança e os ganhos em rapidez como os principais benefícios do GS1. “Concluímos que o número de horas que os enfermeiros passam a administrar medicamentos é mais baixo, com ganhos até nove horas”, afirma Ricardo Gonçalves.

“O Hospital de Cascais tem vindo a desenvolver um projeto de maturidade tecnológica, centrado no doente, de forma a melhorar a qualidade, a segurança e a eficiência dos cuidados prestados”, afirma Luís Gouveia, membro do conselho de administração. Foram desenvolvidos diversos projetos com o objetivo de otimizar o processo clínico eletrónico. “Toda a informação foi desenvolvida de modo a permitir uma análise muito mais célere, quer para a criação de indicadores e dashboards em tempo real – importantes para a tomada de algumas decisões – quer para a monitorização de alguns indicadores”, explica. Posteriormente, a integração de protocolos clínicos no sistema permitiu a existência do Fast Track, desenvolvido pela Glintt, tecnológica portuguesa líder de mercado na área da saúde.

“O Fast Track traz alguma inteligência ao processo de triagem de uma patologia específica, que é a sépsis”, explica Nuno Vasco Lopes, CEO da Glintt. Para esta solução, a empresa desenvolveu um sistema de inteligência que permite que determinados sintomas possam acelerar o processo de triagem, ao mesmo tempo que orienta o doente para o clínico mais adequado. “O que o Fast Track faz é interpretar melhor a informação prestada. O que é pedido é que a informação seja recolhida de forma rigorosa, atempada e que os profissionais possam seguir todos os passos definidos no protocolo clínico.

É um processo muito simples”, assegura Nuno Vasco Lopes, para quem este é um bom exemplo da conjugação de competências entre os profissionais de saúde e da gestão da informação e das tecnologias. “Quando estamos a falar de saúde, estamos a procurar utilizar a melhor informação, da forma mais rápida, para poder suportar melhor as decisões clínicas. É um aspeto absolutamente essencial e a tecnologia é o facilitador de todo o processo”, afirma.
No que toca a custos, tanto o CEO da Glintt como o responsável do Hospital de Cascais são unânimes: a relação custo/benefício é claramente vantajosa. “A avaliação custo/benefício é facilitada pelo retorno que este tipo de investimento tem. Se conseguirmos diminuir o erro e aumentar a segurança do doente, não há investimento que não seja sustentável”, garante Luís Gouveia.

Jorge Portugal : A génese de um novo modelo de saúde

Para o diretor-geral da COTEC, a tecnologia exigirá a adaptação da prática profissional na saúde.

Quais os desafios do recuo demográfico para a saúde?
Em 2050 (isto é, uma geração), 40% da população da UE terá mais que 65 anos e 11% mais de 80. As despesas com pensões e cuidados de saúde de longo prazo decorrentes do aumento da esperança média de vida subirão em percentagem do PIB, acréscimo que se prevê que em Portugal seja ainda maior. Além do problema de disponibilizar serviços de saúde à população com envelhecimento “normal”, será preciso considerar as necessidades daqueles com problemas crónicos ou doenças raras.

De que forma a saúde 4.0 pode ajudar a superar problemas associados ao declínio demográfico?
Uma maior parte da população estará mais preparada para utilizar tecnologias de monitorização e apoio do que gerações anteriores, o que facilitará a emergência de novos modelos de distribuição e serviços de cuidados de saúde remotos smart wellbeing, mais eficientes e que mitigarão a escassez de outros recursos, garantindo a autonomia e a dignidade do processo de envelhecimento das pessoas.

A saúde 4.0 pode acelerar as reformas no sistema de saúde?
Não sendo uma varinha mágica, a tecnologia exigirá adaptação da prática profissional, podendo estimular a eliminação de barreiras políticas, culturais, éticas e organizacionais para que os profissionais e a sociedade em geral se sintam confiantes na partilha da informação entre diferentes disciplinas, organizações e para lá das fronteiras nacionais.

 

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