Mayors Summit

Smart Cities. “As cidades estão a passar da teoria à prática”

Decorreu no Campus da Universidade Nova de Carcavelos, mais uma edição das Conferências do Estoril.
Cimeira da Juventude 

(Orlando Almeida / Global Imagens)
Decorreu no Campus da Universidade Nova de Carcavelos, mais uma edição das Conferências do Estoril. Cimeira da Juventude (Orlando Almeida / Global Imagens)

Quem o diz é Diogo Santos, um de largas dezenas de especialistas que se reuniram, ao longo de dois dias, no Mayors Summit para discutir o presente e o futuro das cidades inteligentes.

Terminou esta quarta-feira o Mayors Summit, o evento paralelo à sexta edição da Estoril Conferences por onde passaram empresários, investigadores e políticos ligados ao mercado das smart cities. Em mais de uma dezena de painéis e palestras, foram revelados casos de sucesso na implementação do conceito, debatidos vários ramos que o integram e levantadas muitas questões sobre o que falta fazer. E ainda há muito por concretizar.

Apesar disso, Diogo Santos, responsável pela área de mobilidade na Deloitte, explica ao DINHEIRO VIVO que já se verifica uma alteração do paradigma neste campo, existindo mais investimento e empenho na transformação. “Há um consenso relativamente generalizado entre todas as cidades sobre a necessidade de melhorarem os seus sistemas de mobilidade”, comenta, acrescentado que “nenhuma se pode dar ao luxo de não ter a mobilidade no topo da agenda”. Ativamente envolvido nesta mudança, através de aconselhamento estratégico e apoio técnico, Diogo Santos acredita que “as cidades estão a passar da teoria à prática”, nomeadamente com o desenvolvimento de projetos-piloto e outros mais estruturantes.

O município de Cascais, anfitrião do Mayors Summit, foi um dos mais citados ao longo dos dois dias de evento e não foi por acaso. Durante um painel dedicado ao futuro da mobilidade, Rui Rei, presidente da Cascais Próxima, reforçou uma intenção já anunciada pela Câmara Municipal. “Em janeiro de 2020, vamos ter transportes gratuitos para todos os habitantes de Cascais”, disse, justificando que é importante oferecer um leque alargado de alternativas aos cidadãos que “têm de poder escolher a melhor solução para si” – seja ela o comboio, os autocarros, as trotinetes ou os automóveis partilhados.

Mais do que medidas para reduzir as emissões de CO2, estas iniciativas permitem atingir algo que é apontado por todos como essencial na construção das smart cities, uma melhoria da qualidade de vida. “Não podemos esquecer que as smart cities são sobre pessoas e não apenas sobre tecnologia”, defendeu Miguel Gaspar, vereador da Câmara Municipal de Lisboa com o pelouro da mobilidade. O responsável político lembrou ainda a necessidade de tornar os transportes públicos acessíveis, física e financeiramente, para todos.

Com este “mix modal” – oferta variada de soluções de transporte -, Diogo Santos acredita que será possível diminuir o peso relativo do automóvel, enquanto o peso dos transportes públicos e das novas soluções de mobilidade será aumentado. “A expectativa é que nas cidades mais desenvolvidas cerca de 80% dos quilómetros percorridos venham a sê-lo em carros partilhados”, o que representará “uma alteração brutal na forma como o sistema de mobilidade funciona”.

Conectar, conectar, conectar

A tendência generalizada de criar sistemas integrados que comuniquem entre si veio para ficar, principalmente quando falamos em cidades inteligentes. Porém, não se resume a sensores instalados nas ruas ou a tecnologia de inteligência artificial ligada a múltiplos dispositivos de recolha de dados. A conectividade deve estender-se aos vários ramos da vida das pessoas e das urbes, desde a educação à saúde, passando pela sustentabilidade. Tudo isto faz parte de uma verdadeira estratégia integrada para uma smart city.

No caso da educação, urge repensar os sistemas mundiais de ensino para que seja possível “ensinar as crianças a saberem como se aprende” e “a pensar de forma crítica”, preparando-as para o futuro, defende Matthew Alex, especialista em educação na Deloitte. Por outro lado, é também nesta fase de desenvolvimento que as crianças devem começar a aprender sobre mobilidade, sustentabilidade e hábitos de vida saudáveis, acredita.

Apesar de não ser tarefa fácil, a solução para motivar melhores escolhas pode estar na gamificação. “Existem incentivos para caminhar ou andar de bicicleta em vez de usar o automóvel, para escolher frutas e vegetais em vez de alimentos processados”, explica ao DINHEIRO VIVO Stephanie Allen, responsável global da Deloitte para cuidados de saúde. “No fundo, temos de facilitar as decisões saudáveis através dos incentivos”. A importância desta consciencialização para as questões relacionadas com o bem-estar físico e psicológico é justificada pela realidade dos números da consultora, que mostram que 95% dos gastos mundiais em saúde são aplicados no combate à doença e que apenas 5% são investidos em prevenção. Ao contrário do que acontece atualmente, com sistemas reativos, “no futuro a intervenção será proativa” com a ajuda da tecnologia e dos dados gerados, analisados e utilizados para o efeito.

Fazer de Portugal uma smart nation

A ambição de Miguel Eiras Esteves, especialista mundial em smart cities da Deloitte, é conseguir tornar Portugal num país inteligente. “À medida que mais cidades vão adotando este tipo de políticas, acho que Portugal, com a dimensão que tem, devia tornar-se numa smart nation”, defende.

Eiras Esteves tem esperança de que este desejo se possa começar a desenvolver nos próximos cinco anos, “se as grandes metrópoles começarem a fazer políticas coordenadas, a criar standards e soluções que possam ser usadas em qualquer local”. Cidade a cidade, existe caminho e potencial para lá chegar, acredita.

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