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Smart Forest faz sensores de alerta contra incêndios

A equipa da Smart Forest: Nuno Estrela, Eduardo Henriques, Miguel Penaguião, Bruno Inácio e Miguel Melo. (foto: Sara matos/Global Imagens)
A equipa da Smart Forest: Nuno Estrela, Eduardo Henriques, Miguel Penaguião, Bruno Inácio e Miguel Melo. (foto: Sara matos/Global Imagens)

Levar a internet das coisas às florestas é o propósito da Smart Forest, que está a desenvolver um sistema de sensores de alerta para fogos florestais

Enquanto a indústria agrícola é uma das mais agressivas na adesão a novas tecnologias e internet das coisas para se modernizar, o sector das florestas ainda está atrasado. Há uns anos, começou a falar-se da internet das árvores para designar o potencial de conectar florestas e conseguir não apenas melhor gestão ecológica como também prevenção de incêndios. Em Portugal, há uma startup que está a tentar fazer precisamente isto: levar a internet das coisas às florestas nacionais.

A Smart Forest surgiu no final de 2016 pela mão de quatro engenheiros informáticos que estavam cansados de ver o país a arder todos os anos. “Há pessoas que pensam que o nosso projeto começou depois dos incêndios [de 2017], mas começou antes e depois aconteceu toda esta tragédia”, explica ao Dinheiro Vivo Eduardo Henriques, cofundador da empresa.

A ideia venceu a categoria Serviços na sétima edição do Acredita Portugal (2016-2017) e conquistou depois o prémio Ericsson no Big Smart Cities da tecnológica sueca e da Vodafone.

Neste momento, a Smart Forest está a ser incubada no Vodafone Power Lab e a receber apoio da operadora para desenvolver a tecnologia e o modelo de negócio. O conceito é colocar sensores que recolhem dados de temperatura, humidade relativa do ar, existência de fumo e humidade das folhas e enviam os dados para um sistema central.

O formato da implementação dependerá do que as autoridades quiserem. Eduardo Henriques considera que o ideal será implementar um sensor ativo e dois a três sensores só de fumo por hectare.
Como funciona

O sensor ativo vai recolher informação constantemente a intervalos de cinco minutos no verão e de 20 minutos no inverno, enquanto os sensores de fumo (ou passivos) só enviarão informação quando for detetado fumo. “É uma malha mais apertada sem tornar a solução cara”, explica o responsável.

Os preços correntes são de 80 a 100 euros por sensor e 200 euros por concentrador de informação (o gateway para onde os outros sensores enviam dados e que comunica com o sistema central). Mas poderão baixar para maiores quantidades.

“Quando é detetado fumo, o sistema central envia um sms, um e-mail e o ícone correspondente a esse agente muda de cor para vermelho no frontend, para alertar para uma situação de alarme”, descreve o responsável. O sistema está neste momento a ser testado num projeto-piloto na Quinta do Pisão, em Cascais, enquanto a startup termina a incubação no Vodafone Power Lab. É a operadora quem fornece os cartões GSM que permitem aos sensores comunicar constantemente a informação ao sistema central. “As mensagens passam de uns para os outros até chegarem ao concentrador”, explica Eduardo Henriques. A cobertura de rede do território nacional é quase de 100%, entre as três operadoras, e poderá também ser usado satélite como backup. A intenção é cobrar pelo custo dos equipamentos e da instalação.

Próximos passos

A Smart Forest pretende ter uma versão 1.0 pronta no princípio da época dos fogos, lá para o fim da primavera. Para já, em abril, vai dar início a um novo projeto com a Tranquilidade, do qual ainda não há pormenores mas que representa alguns milhares de euros de investimento da seguradora.

Em termos técnicos, a empresa vai implementar algoritmos de machine learning e inteligência artificial para fazer análise dos dados. Isto permitirá despistar os falsos positivos, que podem acontecer se houver aumentos de temperatura significativos quando um sensor está à sombra e passa a receber sol.

Por outro lado, a ideia é também criar modelos de predição e de simulação do avanço do fogo. “Achamos que toda a informação ambiental também acaba por ser interessante”, refere o responsável, revelando que a Câmara de Cascais está interessada nesta componente por causa da monitorização das dunas e da recolha de parâmetros ambientais relativos a elas.

A autonomia dos sistemas mantém-se como grande desafio técnico, com a startup a experimentar vários tipos de baterias e painéis solares. Eduardo Henriques sublinha que o financiamento tem sido, até agora, o maior entrave, sendo necessários 50 mil euros para dar impulso ao projeto.
O desenvolvimento dos sistemas é pago pelos fundadores, salvo a ajuda de 2500 euros do prémio Ericsson e o apoio da Vodafone.

“Eles ajudam-nos em muita coisa”, adianta Eduardo Henriques, referindo-se à incubação no Power Lab. “Dão-nos visibilidade, ajudam-nos em mentoria, têm pessoas de altos cargos a darem-nos apoio a nível de negócio, dão-nos os cartões que estamos a usar.”

O responsável assinala também a importância da relação estreita com a equipa da operadora. “Temos abertura para falar com eles e pedir a coisa mais estratosférica do mundo, que eles não fazem má cara.”


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