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Catarina Martins: “Somos bastante irritantes” e “Costa é um negociador”

Catarina Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda. (Fotografia: Manuel de Almeida/ Lusa)
Catarina Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda. (Fotografia: Manuel de Almeida/ Lusa)

A coordenadora do BE, Catarina Martins, foi a convidada desta semana do ciclo 30 Portugueses, Um País. Se há uma convergência entre o BE e o PCP, acredita que é no combate ao “poder económico poderosíssimo”.

“O que conta na democracia é a relação de forças”, defendeu a líder do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, para justificar o sucesso dos acordos entre socialistas, bloquistas, comunistas e ecologistas que sustentaram os quatro anos deste governo.

O modelo inventado pelo Partido Socialista (PS) de António Costa, que define como “um negociador”, veio mostrar que “o que conta é a força dos vários projetos para construir soluções”. No futuro, em vez de discutir pessoas, a responsável considera que devemos discutir ideias e projetos para o país. “Um dos problemas foi deixarmos de discutir projetos políticos, horizontes”, defendeu, ao ser entrevistada nesta semana no âmbito do ciclo 30 Portugueses, Um País, evento promovido pelo grupo hoteleiro madeirense PortoBay.

Entende que vivemos num período em que é possível às forças de esquerda terem clareza sobre o projeto a seguir para conquistarem maiorias sociais. “Hoje há mais gente a querer um projeto à esquerda”, defendeu, lembrando o pioneirismo do Bloco de Esquerda, que, quando nasceu, era uma experiência política nova na Europa.

Apesar das “enormes divergências políticas”, elogia o líder do Partido Comunista Português (PCP), Jerónimo de Sousa: “Gosto muito dele, tenho admiração pelo seu percurso.” Sempre trabalhou bem com o PC, afirmou, mas reconhece que existe uma desnecessária animosidade entre partidos. Contudo, fez questão de sublinhar o que une as esquerdas: “A convergência em matérias importantes, como a conquista de direitos para a maior parte da população, enfrentando o poder económico poderosíssimo.”

“Somos bastante irritantes”
Na relação com os socialistas, cada partido de esquerda optou por uma estratégia diferente ao longo desta legislatura: “O PC tem uma postura de reafirmar as suas posições de princípio e ver como o PS vai comportar-se. E nós temos mais uma posição de negociar muitas coisas, ainda que pequenas. Pode não ser a nossa posição de princípio, mas se chegámos até ali é porque vai ficar melhor do que estava. E desse ponto de vista somos bastante irritantes.”

Questionada pelo anfitrião Bernardo Trindade sobre o que espera em termos de alianças após as eleições legislativas deste ano, Catarina Martins deixa tudo em aberto, dizendo que depende dos programas e dos projetos dos partidos. Antes, temos as eleições do dia 26 de maio para o Parlamento Europeu e o Bloco elegeu mais uma vez Marisa Matias como cabeça-de-lista, que assim será candidata a um terceiro mandato.

Que poder deve ter a Europa? A pergunta foi lançada pelo convidado especial desta semana, o capitão de Abril Carlos de Matos Gomes. “Tem um poder grande que usa de forma errada. A Europa tem de decidir usar o seu poder económico para se afirmar como uma força de paz”, afirmou, alertando para a falta de envolvimento das pessoas com a União Europeia (UE). “Sentimos que a UE é algo externo a nós.” Além disso, lamenta não sabermos o rumo a tomar nem que projeto queremos. “A relação de forças vai determinar o rumo da UE.” Um dos temas que gostaria de ver debatidos é como devemos preparar-nos para minorar os efeitos das alterações climáticas.

Está preocupada com os movimentos políticos que vivem de gerar medo e desconfiança pelas mentiras e diz preferir uma má noticia à falsidade das fake news. Frontal e pragmática, procura retrair as suas emoções fora da esfera privada. Mas houve uma vez que não conseguiu, contou ao jornalista e escritor Luís Osório, um dos mentores desta iniciativa, que dará origem a um livro editado neste ano pela Guerra e Paz. Chorou pela primeira vez em público quando morreu João Semedo, com quem partilhou a liderança do partido entre 2012 e 2014.

A atriz Rita Blanco é a convidada da próxima semana deste ciclo de entrevistas públicas com portugueses que se destacam e que acontecem semanalmente à terça-feira, às 18.00, na Rua Rosa Araújo, em Lisboa.

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