Building the Future 2020

Tecnologia esbate barreiras nos negócios, mas ainda há trabalho a fazer

Building the future 2020

Num debate com players de várias áreas de negócio, o evento Building the Future debateu como é que a tecnologia está a alterar modelos de negócio.

Num debate com players de várias áreas de negócio, da Administração Pública até à banca, sem esquecer as telecomunicações, o evento Building the Future debateu como é que a tecnologia está a alterar os modelos de negócio.

Ao longo dos próximos dias, o evento Building The Future, com organização a cargo do Ativar Portugal, uma iniciativa da Microsoft, vai debater o tema da transformação digital. Com vários palcos, o evento debruça-se sobre os desafios associados ao desenvolvimento da tecnologia.

Num painel que contou com a participação da AMA (Agência para a Modernização Administrativa), da Farfetch, Moey e da operadora NOS, debateu-se a forma como é possível esbater as fronteiras entre áreas, num mundo que caminha para um cenário onde qualquer empresa pode ser uma organização assente em tecnologia.

Para Sara Carrasqueira, da AMA, é importante que exista um nível comum de literacia digital, para garantir que ninguém é deixado para trás na era da transformação digital. “Apesar de as tecnologias estarem acessíveis, há uma boa parte da sociedade que ainda não sabe utilizá-las”, sublinhou. Para a responsável da agência, a “tecnologia é um fim para chegar a um Estado mais leve, menos burocrático”, mas há que abordar também o desafio das competências. Afinal, a “alteração da sociedade faz-se pela sociedade como um todo”.

“O desafio tecnológico não é o maior desafio. As mudanças de plataforma não se fazem de um dia para o outro. É importante construir pontes de linguagem comum entre vários setores do Estado e da economia”, afirmou Sara Carrasqueira, durante o painel.

Já para Luís Carvalho, vice-presidente de arquitetura da unicórnio Farfetch, a “tecnologia é um pilar”, mas isso não é sinónimo de um vale tudo no desenvolvimento de tecnologia. “A inovação é um termo que se usa de forma abusiva”, partilhou o responsável da Farfetch, enquanto recorda as lições que aprendeu a trabalhar na plataforma de e-commerce de moda de luxo. “Não desenvolvam tecnologia só porque sim”, pediu à plateia do pavilhão Carlos Lopes, em Lisboa. “Há que testar o modelo primeiro e ouvir os clientes. Tentar pôr algo brilhante no mercado pode simplesmente falhar” caso não haja correspondência com a expectativa dos clientes.

Repensar a banca

Foi a olhar para a experiência do utilizador e a forma como interage em diferentes aplicações que Ricardo Madeira, do Crédito Agrícola, explica a proposta do Moey. Sendo uma oferta de serviços financeiros assente no mundo mobile, Ricardo Madeira reconhece que implicou mudanças para o banco. “Para um banco tradicional, forçou a forma como entregávamos ofertas aos clientes”, reconheceu, destacando que “há que repensar a forma como as coisas são feitas.”

Para o responsável pelo Moey, indústrias como as redes sociais e aplicações foram uma inspiração. “Queremos dar informação enriquecida com localização, categorias – é um extrato dinâmico, com informação relevante.”

Além do carácter mais dinâmico e mobile, o Moey tem ainda outra diferença – a alocação de recursos. “Num um banco tradicional temos uma grande alocação de recursos aos front office, às agências”, explicou Ricardo Madeira, especificando que no Moey a divisão é feita entre 90% de recursos para IT e 10% em operações. Para o responsável do Crédito Agrícola, esta distribuição de recursos poderá mesmo ser a próxima fase. “É assim que vemos a banca do futuro”.

Neste cenário em que muitos querem acelerar, Ricardo Madeira explicou que “os reguladores estão atrás”. “Temos um regulador que olha para a inovação como algo positivo, porque permite que os bancos continuem a ser empresas relevantes”, contextualizou, mas defendeu que continuam a existir “questões regulatórias” no mercado e a necessidade de existir um “level playing field” igual para todos.

NOS não ambiciona o mundo dos serviços financeiros

Manuel Ramalho Eanes, administrador executivo da NOS, recorda que a expectativa do consumidor há muito que se alterou. “As pessoas balizam expectativas pela sua melhor experiência. Toleramos cada vez menos as más experiências e os erros que as empresas cometem connosco”, recordou, exemplificando com serviços de mobilidade como a Uber.

O responsável da NOS fez questão de lembrar que, embora as barreiras já estejam cada vez mais ténues, ainda vem ainda outra grande mudança. “Se isto se está a esbater, com o 5G vai ser uma desgraça”, brincou, sem antes recordar que ainda há muito trabalho por fazer. “O interface do 4G já está inventado, mas o do 5G ainda não está. O grande desafio é, com os clientes de cada indústria, perceber como é que é possível tirar partido desta tecnologia, trazer valor para os clientes neste novo ambiente.”

Enquanto a concorrente Altice já avançou que está interessada no mundo dos serviços financeiros, durante o momento de debate Manuel Ramalho Eanes clarificou que a NOS não ambiciona um papel nessa área. “A NOS tem um compromisso com os clientes no setor da banca, de trabalho de parceria tecnológica, a ajudar no caminho da transformação. Não temos ambição de entrar na área dos bancos.”

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