Revolução 4.0

Tecnologias 4.0 como porta para a internacionalização

Industrial Supply: Internationale Leitmesse für innovative Zulieferlösungen und Leichtbau, Salzgitter AG, Halle 5, Stand A06
Industrial Supply: Internationale Leitmesse für innovative Zulieferlösungen und Leichtbau, Salzgitter AG, Halle 5, Stand A06

São cada vez mais as empresas nacionais a marcar presença no mercado internacional com produtos que incorporam – ou têm na sua génese – tecnologia inovadora.

Apostar no desenvolvimento de produtos e soluções tecnológicas adaptadas à lógica da indústria 4.0 potencia não só o crescimento e reconhecimento no mercado interno mas também acaba por ser uma porta de entrada para os mercados internacionais. Uma experiência que é cada vez mais comum entre as empresas portuguesas.

A Tekon Electronics é a marca desenvolvida pela Bresimar – empresa de Aveiro com 38 anos de experiência na área dos sistemas e soluções para automação industrial – para dar respostas mais eficazes às necessidades no âmbito da indústria 4.0. “A Tekon Electronics resulta do desenvolvimento do departamento de I&D criado em 2011 e trouxe-nos a oportunidade de projetar os produtos desenvolvidos pela Bresimar Automação num contexto internacional, permitindo a penetração em novos mercados e o trabalhar de novas soluções em novos contextos”, explica Hugo Oliveira, gestor de marketing da empresa.

A Bresimar começou como representante de marcas de automação mas a evolução do negócio levou-a a apostar também na conceção e no desenvolvimento das suas próprias soluções. O departamento de Investigação & Desenvolvimento surgiu assim para criar produtos que dessem resposta às necessidades de conectividade e automação da indústria. As soluções são desenvolvidas tanto na vertente de hardware, com transmissores wireless para a recolha e transmissão de dados, como de software com a criação da Tekon IoT Platform. “É uma plataforma que agrega todos os dados recolhidos em chão de fábrica, permitindo uma tomada de decisão mais eficaz”, explica Hugo Oliveira.

A Tekon Electronics está presente em nove mercados (Reino Unido, Itália, Polónia, Noruega, Letónia, Austrália, Brasil, Colômbia e, mais recentemente, Áustria) e em 2020 a empresa espera que as exportações tenham um peso de 20% no seu volume de negócios, continuando a crescer nos próximos anos. Uma tendência ancorada na cada vez maior importância dos dados na indústria 4.0. “Os dados são o novo petróleo. E o principal desafio que encontramos enquanto fabricantes é conseguir que o nosso hardware acompanhe esta tendência e que o nosso software possa acrescentar valor que permita aos nossos clientes retirar valia dos dados que lhes chegam à plataforma.”

A Controlar – Eletrónica Industrial e Sistemas, Lda também registou um crescimento nos seus negócios internacionais que atualmente representam 45% da faturação. Dedicada à produção de componentes eletrónicos para automóvel, a Controlar testa a produção de equipamentos, em segmentos como o infotainment automóvel, um segmento que a colocou sempre na linha da frente da inovação tecnológica. “O nosso reconhecimento de marca deve-se ao nosso know-how e à capacidade de inovar num mercado tão competitivo como é o setor automóvel, bem como na área de testes e automatização de processos”, garante Carlos Alcobia, gestor global de IDI da Controlar.

Todos os produtos desenvolvidos pela empresa incluem tecnologias 4.0, com destaque para a realidade virtual e o IoT. “As nossas máquinas são já produzidas num formato da indústria 4.0”, diz o responsável que afirma que a empresa, especializada na criação de soluções à medida, está agora a avançar para a standardização de alguns dos seus produtos. “Estamos a lançar produtos que tentam uniformizar a oferta e um catálogo mais alargado”, explica Carlos Alcobia, para quem a experiência acumulada vai permitir continuar o processo de internacionalização que já colocou a empresa em mercados tão distantes como a Malásia, o México, a Índia ou a Alemanha. “Temos potencial para crescer no mercado externo e não apenas na área automóvel, já que o nosso know-how permite-nos ir para áreas como aeronáutica, aeroespacial, defesa, informática de consumo.” A inovação continuará a ser uma marca distintiva da Controlar. “A tendência é para continuar a incorporar mais soluções da indústria 4.0 nas nossas máquinas e nos nossos novos produtos , quase numa vertente de tendências futuras”, afirma.

Jorge Portugal: Há carência de técnicos em tecnologias 4.0

Falta de oferta de recursos humanos em tecnologias 4.0 é uma lacuna que representa uma “oportunidade para todo o sistema educativo e de formação técnico-profissional”, sublinha o diretor-geral da COTEC.

Portugal tem recursos humanos suficientes (e suficientemente preparados) para dar resposta à procura das empresas que desenvolvem soluções de tecnologia 4.0?
O país tem uma forte carência na oferta de técnicos em tecnologias 4.0, a todos os níveis e fases do ciclo de educação e formação. Esta lacuna representa um grande desafio coletivo na transição digital e igualmente uma oportunidade para todo o sistema educativo e de formação técnico-profissional de, através de maior proximidade com as empresas, criarem novas ofertas formativas e adaptarem as ofertas clássicas incorporando os conceitos e possibilidades da tecnologia 4.0.

O que distingue as empresas portuguesas (e as suas soluções) nos mercados internacionais?
Em geral, embora existam exceções, apresentam soluções que permitem maior flexibilidade e adaptação às necessidades específicas das empresas, especialmente das PME com menores recursos.

Quais as áreas de negócio e/ou segmentos de mercado com maior potencial de expansão dentro das tecnologias 4.0?
Automação e inteligência artificial, análise de dados, realidade aumentada, cibersegurança e simulação e gestão do ciclo de vida do produto são algumas das áreas de forte crescimento nos próximos anos.

 

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