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Paulo Portas. “Tenho mais esperança em África do que na Europa”

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Paulo Portas participou no encontro Captar Investimento para África, dedicado à energia, e disse acreditar no desenvolvimento do continente africano.

Otimismo é a palavra que Paulo Portas usa quando se refere ao crescimento da economia do continente africano, pois acredita que “África está a ter um melhor desempenho do que os outros continentes”.

Se, por um lado, as estimativas do Fundo Monetário Internacional e do World Bank Group apontavam para o abrandamento dos níveis de crescimento da economia global em 2019, por outro lado, e na mesma altura, reconheciam que África estava a crescer mais do que a economia global, defendeu o ex-líder do CDS Paulo Portas durante o encontro Connecting África, que decorreu nesta semana no Museu da Eletricidade, em Lisboa. “África está a sofrer, mas está a sofrer menos do que a economia global”, disse o ex-governante, agora consultor, explicando melhor a sua posição.

Para Paulo Portas o que pode ser de facto transformador e “a melhor notícia” é a possibilidade de África vir a aumentar o comércio livre interno, referindo-se ao acordo de comércio livre intra-africano que tem vindo a ganhar força desde 2018.

Até hoje 52 países africanos dos 55 Estados membros da União Africana aprovaram o acordo que prevê lançar o tratado de criação desta zona de livre comércio, a African Continental Free Trade Area.
Este é um momento histórico que, segundo dados recolhidos por Paulo Portas, pressupõe baixar em cerca de 90% as tarifas de comércio nas fronteiras internas, com vantagens, tanto para as empresas africanas como para as empresas estrangeiras instaladas em solo africano.

“O acordo permite aumentar o comércio intra-africano que representa atualmente cerca de 20% do total das trocas comerciais, enquanto na Europa, Ásia e América, por exemplo, o comércio dentro do continente representa 60% das trocas comerciais”, disse num inglês correto e voz bem posicionada perante vários potenciais investidores e especialistas do setor energético.

O investimento em energias renováveis em África, como na hídrica e na solar, poderá um dia vir a ser uma alternativa ao petróleo? “Vamos precisar das energias menos limpas durante mais tempo. A própria OPEP [Organização dos Países Exportadores de Petróleo] reconhece que poderá haver um momento em que a procura declina. É preciso tratar da competitividade em vários fatores das energias que são mais limpas”, disse em declarações ao Dinheiro Vivo.

A moderar o debate esteve Tony Tiyou, jornalista da BBC, que orientou as várias intervenções em torno das oportunidades de investimento no setor da energia em África, considerado pela organização do evento como um dos setores mais estruturantes para o desenvolvimento da economia daquele continente.

Além do antigo líder do CDS e ex-vice-primeiro-ministro, deixaram os seus pontos de vista Paulo Gomes, ex-diretor do Banco Mundial; Ricardo Machado, fundador e CEO da Aenergy, empresa de soluções de energia e de transportes que nasceu em 2012, em Angola; Oliver Andrews, diretor executivo e chief investment officer (CIO) da Africa Finance Corporation; Ibrahim Sagna, diretor do banco africano de export-import, Afreximbank; Koffi Klousech, da Africa 50, uma plataforma de investimento em infraestruturas com projetos principalmente em África; e Daniel Santos, presidente do Banco Millennium Atlântico, instituição que resultou da fusão em 2016 entre o Banco Privado Atlântico e o Banco Millennium Angola, e que tem vindo a financiar projetos na energia em Angola.

Um deles foi a construção da barragem de Laúca, uma central hidroelétrica localizada no rio Cuanza, entre as províncias de Malanje e do Cuanza Sul. A obra arrancou em 2012 e pelas contas será a maior barragem de Angola quando estiver em pleno funcionamento.

Como podemos promover África como destino para investir em energia e levar mais capital para Angola? Para Daniel Santos é preciso mais envolvimento do setor privado, pois “o sistema financeiro e a capacidade do estado angolano não são suficientes para fazer os investimentos necessários”.

Depois deste encontro, o responsável pelo banco angolano terá várias reuniões com os principais potenciais financiadores e conta ter nos próximos dias um memorando de entendimento entre as várias entidades envolvidas com um compromisso de investimento no setor energético em Angola.

“Acreditamos no país, nas famílias e nas empresas”, disse, sublinhando a sua cautela: “Conhecemos o risco do país.” Contudo, abraça o desafio de financiar projetos de investidores privados. “Aceitam o desafio?”, lançou para terminar.

O evento decorreu no mesmo dia em que arrancou a 21.ª edição do Africa Energy Forum, que juntou em Lisboa empresas, investidores e especialistas em energia.

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