Revolução 4.0

Trabalhar à distância com eficiência e sem “baixar a guarda” na segurança

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Com o estado de emergência a colocar o país em isolamento social, o teletrabalho entrou na ordem do dia. Mas é preciso ter em conta os riscos que acarreta, avisa a Centro Nacional de Cibersegurança.

À data da declaração do estado de emergência, 42% dos portugueses encontravam-se – de acordo com um estudo da Marktest – em regime de teletrabalho. A necessidade de reduzir ao mínimo os contactos sociais veio pôr em evidência as diferentes formas de trabalhar e interagir à distância – do e-learning ao teletrabalho, passando por ferramentas de colaboração digitais – e a importância das tecnologias 4.0 para o sucesso das mesmas.

O e-learning ganha agora nova dimensão para os decisores das empresas como uma forma de adquirir conhecimentos e competências, de um modo versátil e adaptado às necessidades e horários individuais. Um exemplo é o curso sobre Indústria 4.0 lançado em conjunto pela Cotec Portugal e pelo INESC TEC.

Com uma duração de seis horas e uma formação distribuída por 20 módulos, o curso abarca áreas como robótica e automação, smart factory, big data ou logística inteligente. “Quisemos explicar às empresas o que é isso da transformação digital. A pandemia está a trazer à tona o motivo pelo qual isto é importante, já que as empresas mais bem preparadas para responder e usar ferramentas digitais vão sobreviver com maior facilidade”, afirma António Almeida, do INESC TEC, para quem o objetivo final do curso é “conseguir perceber os prós e os contras da implementação de determinadas tecnologias”.

Por seu turno, Américo Azevedo, também do INESC TEC, destaca a importância da multidisciplinaridade nesta abordagem. “É nela que reside a principal dificuldade da transformação digital. É necessário perceber que a solução para um determinado problema não é única e é necessário identificar uma série de tecnologias que vão resolver o problema”, afirma Azevedo, que sublinha a importância do trabalho colaborativo.

A vertente colaborativa está bem patente na metodologia BIM. “Esta metodologia tenta digitalizar o processo de projeto e construção de uma forma colaborativa. É por aí que a metodologia BIM, num contexto de teletrabalho, pode ser útil”, explica António Aguiar Costa, coordenador do relatório BIM e a Digitalização da Construção e das Infraestruturas. Para o responsável, o próprio trabalho em obra beneficia, já que o BIM permite preparar a obra de uma forma digital. “Temos um modelo 3D com toda a informação de que necessitamos, o que faz que consigamos, em regime de teletrabalho, preparar toda a obra de uma forma mais rigorosa, integrada, com rigor máximo. O que está em causa é colaborar mais, planear mais, e isso pode ser feito à distância e de forma colaborativa”, assegura.

Contudo, há que ter em conta a questão da cibersegurança. “É uma questão crucial e tem de ser garantida. As ferramentas existem, o que por vezes não existe é a consciência da importância de termos uma abordagem consistente e segura em termos de cibersegurança”, diz.

Lino Santos, coordenador do Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS), concorda. “Há organizações que não estavam preparadas para ter estas condições para todos os seus colaboradores”, avisa. Estas condições têm que ver com a responsabilidade de empresas proporcionarem o ambiente de trabalho em casa, em tudo semelhante ao do escritório. “Tem de fornecer ao trabalhador o equipamento e um instrumento de acesso remoto, tipicamente uma VPN, de acesso à rede corporativa da organização. Isto, mantendo o princípio de segregação de funções. Não devemos, de alguma forma, baixar a guarda no controlo de acesso e nos mecanismos de autenticação forte que temos no escritório quando estamos em casa”, alerta o coordenador do CNCS.

A transição inesperada para o regime de teletrabalho pode levar a um aligeirar dos processos e é aqui que, para Lino Santos, é necessário ter atenção redobrada. “Um dos tipos de ataques que observamos com alguma frequência são ataques de spear phishing – mensagens forjadas, muito bem escritas, e que dão a ideia de terem sido escritas pelo responsável da empresa dando ordem ao responsável financeiro para que ele pague determinada quantia a alguém. Num ambiente de escritório temos mecanismos que protegem deste tipo de ataques. Se aligeiramos os processos em regime de teletrabalho, corremos riscos”, alerta.

Já ao trabalhador cabe assegurar a segurança da rede doméstica, com a criação de uma password forte de acesso à rede wi-fi e cuidados redobrados com o equipamento, usando os dispositivos cedidos pela empresa exclusivamente para trabalho sem os partilhar com terceiros. Contudo, há ameaças que surgem associadas ao momento atual. “O nível de ansiedade das pessoas torna-as muito disponíveis a consultar redes sociais e ver mensagens de correio eletrónico com boas notícias. Nas últimas duas semanas assistimos ao aproveitamento desta ansiedade para fazer circular campanhas de phishing e de infeção”, alerta Lino Santos, para quem é essencial que a consulta de redes sociais ou o consumo de informação não seja feito com os dispositivos usados para teletrabalho.

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