meio ambiente

“Trabalhe menos e salve o planeta”. Este é o movimento que cresce a olhos vistos

trabalho work fora de casa

Já pensou em trabalhar menos para salvar o planeta? Esta é a medida central do novo movimento ambientalista, Green New Deal

O movimento, que foi popularizado pela congressista norte-americana, Alexandria Ocasio-Cortez, questiona os resultados do crescimento económico e propõe uma nova reflexão: seria o progresso um sinal de alerta? O grupo de ativistas, investigadores e decisores políticos tem como objetivo despertar o interesse para as questões ambientais.

O Green New Deal quer encolher a economia de forma intencional para lidar de forma mais eficaz com as preocupações relativas às mudanças climáticas. Diminuir o consumo e trabalhar menos para aumentar o bem-estar é outra das propostas, que é vista não como uma fantasia utópica, mas como medidas importantes do movimento.

O crescimento tem sido visto ao longo da história de uma forma positiva. É um sinal que corresponde a segurança no emprego e a prosperidade. Arthur Okun, um dos economistas dos tempos de John F. Kennedy como presidente norte-americano, elaborou a hipótese de que para cada aumento de três pontos no PIB, o desemprego cai um ponto percentual. Enquanto os EUA aumentava o seu PIB, a ideia de que o crescimento económico é sinónimo de sucesso foi difundida pela planeta.

Mas quando o assunto é o meio ambiente, o contexto muda, de acordo com movimento Green New Deal. O progresso, que antes era visto como sinal de prosperidade, ganhou novos significados no contexto socioambiental. Os termos ‘aquecimento global’, ‘mudanças climáticas’ e ‘perda de biodiversidade’, estão a ser usados por ativistas no mundo todo, para questionar o dogma do crescimento.

O ceticismo em torno do crescimento gerou o movimento do decrescimento, que tenta provar que o avanço económico está vinculado ao aumento das taxas de emissão de carbono. Em virtude disto, o novo grupo reivindica a opção pelas indústrias de energia renovável. Mas para além dos enunciados práticos, há um ideal que visa eliminar a ideia de que o progresso (da maneira como o conhecemos) é positivo.

A nova ideia de progresso não estaria, assim, ligada ao PIB, mas sim ao acesso aos serviços públicos, a uma semana de trabalho mais curta e a um aumento no tempo de lazer. Ou seja, à qualidade de vida dos indivíduos. A abordagem, de acordo com os membros do grupo, não só iria combater as alterações climática, mas também libertaria as pessoas de um modo de vida workaholic.

Se o plano estratégico é considerado por alguns como irrealista, há cada vez mais a valorizarem estas ideias. O movimento está a reunir cada vez mais adeptos nos circuitos académicos. Há 11 anos (2008) ocorria a primeira conferência internacional sobre o decrescimento, em Paris, que contou com cerca de 140 pessoas. No ano passado este número aumentou para mais de 700 participantes. A quantidade de artigos académicos e livros sobre o assunto também subiu. Ainda em 2018, o The Guardian, publicou uma carta assinada por 238 académicos que exigiam uma maior atenção para a era do chamado “pós-crescimento”.

Entre os participantes do movimento do decrescimento, estão em maior parte os economistas, os ambientalistas, os socialistas democráticos e os ativistas, de idades variadas.

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