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“Um mau rececionista pode estragar tudo”

Luís Araújo, presidente do Instituto Turismo de Portugal, para a rubrica " A Vida do Dinheiro"
(PAULO SPRANGER/Global Imagens)
Luís Araújo, presidente do Instituto Turismo de Portugal, para a rubrica " A Vida do Dinheiro" (PAULO SPRANGER/Global Imagens)

Presidente do Turismo de Portugal apela a uma aposta na formação e na valorização das carreiras de quem trabalha no seto

Num debate cujo tema foi “A Inovação no Turismo”, o presidente do Turismo de Portugal lembrou que este é um setor especial, onde inovar é muito mais do que recorrer à tecnologia e ao digital. “Precisamos da tecnologia, mas é uma ferramenta. Não nos podemos esquecer que esta é uma atividade de pessoas para pessoas e, por isso, é tão importante a tónica dos recursos humanos e da formação”, defende Luís Araújo.

O setor do turismo é 4.0 e pode ser melhorado e potenciado com a tecnologia, concordam os intervenientes, mas vive muito das pessoas, do relacionamento, da experiência de quem visita o país.
A mensagem que o presidente do Turismo de Portugal quer deixar aos empresários é precisamente essa: “invistam na formação” e aos colaboradores: “apostem claramente na formação pessoal como fator de valorização”.

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Durante muito tempo “não se dava tanta importância ao fator humano e por isso não era necessário atrair tanto pessoal qualificado, pagar tanto”, refere ainda José Roquette.
A verdade é que poucas são as pessoas que se dão ao trabalho de ir a um site dizer que não gostaram do colchão do hotel, “mas tenho a certeza que muitas vão dizer que não gostaram do atendimento do rececionista ou que foram maltratadas pelo empregado do restaurante”, diz Luís Araújo. “O colchão pode ser muito bom, mas um mau rececionista pode estragar tudo”, ironiza José Roquette.

A melhoria do serviço oferecido e a sua diferenciação são essenciais nesta fase que o setor atravessa e, para isso, a qualificação dos recursos é o primeiro passo. Só com produtos diferenciares e serviços de excelência se conseguirá dinamizar mais o setor e fidelizar os novos mercados que começam a descobrir Portugal.

“Acho que é importante reter que o desafio à escala nacional, tanto público como privado, é a diferenciação, e não nos esquecermos que vivemos ao lado de um país que é um colosso do turismo mundial, que tem recursos e uma dimensão que é cinco vezes a nossa, ou mais”, diz José Roquette.
“Se não formos pelo lado da diferenciação, vamos pelo lado da competição no preço e nós não queremos isso”, acrescenta o responsável do Grupo Pestana. Qualificar os recursos, conhecer a procura, ter a oferta preparada quer do ponto de vista do hardware quer do software, das pessoas e das estruturas, a aposta é por aí.

Até porque, sublinha, “o mesmo turista alemão que vem uma semana para o Algarve, pode vir a um congresso de quatro dias em Lisboa e ainda, porque gostou, a um short break passar um fim de semana. De uma vez é cliente de um Airbnb, da outra vez é cliente de um hotel e é preciso perceber isso”.
Portugal tem de se saber vender e descobrir como agradar a quem o visita. Se não, vai vender-se a quem não o quer comprar.

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