Ciberataques

Alemanha na mira de espiões e ataques cibernéticos

Ciber ataque

A espionagem industrial custa à Alemanha milhares de milhões de euros cada ano, segundo um relatório da Agência de Inteligência Doméstica (BfV).

O relatório traçou uma série de ameaças à segurança, incluindo a ameaça de militantes islâmicos e o aumento da violência de extrema-direita, no entanto, destacou a crescente incidência de espionagem cibernética.

A Alemanha é um grande alvo de espionagem e ataques cibernéticos levados a cabo por governos estrangeiros. O documento citou ainda que a Rússia está a tentar influenciar as eleições parlamentares alemãs de 24 de Setembro.

“As consequências para o nosso país variam de posições de negociação enfraquecidas, a altos custos materiais e danos económicos, até ao comprometimento da soberania nacional”, lê-se no relatório.

Os alvos primordiais são o Ministro dos Negócios Estrangeiros e suas representações no exterior do país, os ministérios das Finanças e da Economia, assim como a Chancelaria e os militares alemães.

Thomas de Maiziere, Ministro do Interior alemão, afirmou que o governo está a trabalhar de perto com a indústria para proteger as empresas alemãs. Os setores industriais mais afetados são o das armas, o aerospacial e automóvel, bem como, os vários institutos de pesquisa.

Os ataques informáticos podem não só levar à perda de informação vital, mas também, através de malware com um tempo de ação mais lento, desencadear “de forma silenciosa, bombas relógio digitais” que podem, de um momento para o outro, manipular dados ou sabotar certos equipamentos, especialmente infraestruturas importantes, avançou o mesmo relatório.

Na mira da China, Rússia e Irão

A China, a Rússia e o Irão foram os principais países a espiar a Alemanha, cada um por diferentes razões.

A Rússia porque tinha interesse em remover as sanções económicas impostas pela União Europeia, devido às ações de Moscovo quando invadiu a Ucrânia, e também por causa do grupo de hackers russos (APT 28), também conhecido como Fancy Bear , que se pensa ser controlado pelo estado russo e que atacou alvos políticos alemães. Recorde-se que, em 2015, um grupo de hackers conseguiu “hackear” uma rede de informação tecnológica do parlamento alemão e roubar cerca de 16 gigabytes de emails e outras informações.

Até agora ainda não foi revelado o conteúdo roubado, mas muitos advogados estão à espera que os hackers revelem a informação pouco tempo antes das eleições, de modo a causar impacto nos resultados finais.

Os chamados trolls da internet também têm sido usados pela Rússia para moldar a opinião pública e apoiar as políticas pró-russas, através de propaganda e fake news. “Já foi assumido que as agências russas estão a tentar influenciar partidos, políticos e a opinião pública, tudo isto com os olhos postos nas eleições parlamentares de 2017”, avançou o relatório.

Quanto à espionagem por parte da China, aumentou desde que o Presidente Xi Jinping assumiu o cargo em 2013. É referido no documento alemão que os serviços de inteligência chinesa usam redes sociais, como o LinkedIn e o Facebook, para tentar recrutar informadores ocidentais e que é difícil distinguir se é espionagem política ou industrial.

 

 

 

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