Coronavírus

Boas notícias em período de pandemia? Mãos limpas e manter a esperança

LUÍS FORRA/LUSA
LUÍS FORRA/LUSA

Um planeta cada vez mais "isolado", que conta o número de mortos e assiste em pânico ao desmoronar da economia.

A pandemia de SARS-CoV-2 (Covid-19) trouxe muitas notícias menos boas mas, olhando com alguma atenção, também é possível encontrar alguns pontos positivos. Até porque entre melhorar a higiene, reduzir a contaminação com mais gente em casa e fortalecer os laços sociais, a esperança de ver a situação resolvida é cada vez maior.

Lave as mãos!

Desde o início da epidemia, profissionais da área da saúde repetem a mesma mensagem: lave as mãos.

A mensagem foi repetida vezes sem conta por políticos, famosos e propagada pelas redes sociais.

O objetivo é ensinar a técnica correta para lavar cada área das mãos, durante 20 segundos, com água e sabão. Entretanto, o álcool em gel desapareceu das prateleiras de farmácias e supermercados.

O senso comum na área da higiene e do cada vez mais premente isolamento social parece estar a dar bons resultados em alguns países como o Japão, onde o número de casos de gripe registou uma forte queda. Embora esta fase ainda não tenha chegado ao fim, até o início de março o país registava (em gripes e não em infeções de Covid-19) 7,21 milhões de casos, muito menos do que o registado em anos anteriores (em 2017-2018 o recorde foi batido, com 21,04 milhões).

“Acreditamos que uma das razões é que as pessoas estão mais atentas a lavar bem as mãos, devido à propagação do novo coronavírus”, explicou à AFP Daisha Inoue, do ministério da Saúde do Japão.

Queda nas emissões de CO2

Do ponto de vista económico, a queda da procura, as proibições de viagens e o fecho das fábricas é um pesadelo. Mas para o meio ambiente é uma bênção.

Só em fevereiro, as emissões de CO2 caíram 25%, ou seja 200 milhões de toneladas, em comparação com o mesmo período em 2019, de acordo com o Centro de Pesquisas sobre Energia e Ar Limpo (CREA). A queda equivale às emissões anuais de CO2 da Argentina, Egito ou Vietname.

A desaceleração chinesa também provocou a queda de 36% do consumo de carvão nas centrais elétricas da China, com uma redução quase equivalente ao consumo de petróleo nas refinarias.

No setor do transporte aéreo, a paralisação quase total do setor provocou a redução significativa de emissões de CO2.

Veja as fotos de: Ruas desertas de Veneza a Roma. Itália em tempo de pandemia é um país fantasma

Há ainda mais efeitos positivos: em Veneza, a água voltou a ser clara com o fim das constantes viagens de barcos de turistas.

Tudo isto será momentâneo porque, de acordo com especialistas, assim que a pandemia acabar, as economias tentarão recuperar o tempo perdido.

Salvem o pangolim

Os cientistas não sabem ainda qual é a origem do novo coronavírus, mas as primeiras pistas concentraram-se num mercado de Wuhan (no centro da China) onde eram vendidos animais selvagens para o consumo. Alguns indicam como possível intermediário do vírus os morcegos ou os pangolins, uma espécie em vias de extinção – algo que os cientistas ainda não puderam confirmar.

Por este motivo, a China proibiu em fevereiro com efeitos imediatos a venda e o consumo de animais selvagens, uma decisão recebida com agrado pelas organizações ecologistas.

No início da década de 2000, a medida também foi adotada durante a epidemia de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), mas não seguiu em frente. Desta vez, a proibição é permanente.

“Acredito que o governo percebeu que o preço pago pela sociedade e a economia é muito maior do que este comércio pode proporcionar”, disse Jeff He, diretor para a China do Fundo Internacional para a Proteção dos Animais (Ifaw).

O possível vínculo entre o vírus e o pangolim também parece ter abrandado nos amantes de carne selvagem noutras partes do mundo. No Gabão, a venda de carne de caça registou uma queda.

Afastados mas juntos

A distância entre familiares e amigos é uma das consequências do isolamento.

Mas para alguns as medidas reforçam o sentimento de pertença levando a que as pessoas se esforcem mais para manter o contacto com família e amigos.

Na Colômbia, Andrea Uribe, 43 anos, organizou, por exemplo, aulas de ginástica e concursos de talento com familiares com o auxílio de aplicações de videoconferência e os exemplos multiplicam-se um pouco por todo o mundo.

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