Comissão Europeia

Carlos Moedas: “Acho que temos o nosso Silicon Valley europeu”

Comissário Europeu para a Investigação, Ciência e Inovação, Carlos Moedas. Bruxelas, Bélgica. REUTERS/Eric Vidal
Comissário Europeu para a Investigação, Ciência e Inovação, Carlos Moedas. Bruxelas, Bélgica. REUTERS/Eric Vidal

O Comissário Europeu Carlos Moedas estará disponível para um novo mandato na CE, mas quer ver aprovado o orçamento antes das próximas eleições.

“Sou contra esta ideia de que na Europa precisamos de um Silicon Valley. Acho que temos o nosso Silicon Valley europeu, que é esta rede de cidades fantásticas que temos hoje, como Lisboa, Amesterdão, Berlim. E o que se vê é esta geração que está a criar grandes empresas”.

Esta é a convicção do Comissário Europeu para a Investigação, Ciência e Inovação, Carlos Moedas, que respondeu a várias perguntas na entrevista em formato carpool, “EU Confidential”, em Bruxelas. Revelou que se pode candidatar a um novo mandato como a ser comissário europeu, falou de inovação, inteligência artificial e democracia.

Carlos Moedas apresentou este ano um orçamento de 100 mil milhões para a Ciência, no programa Horizonte Europa, montante que quer ver aprovado antes das próximas eleições europeias em 2019.

Relativamente à China, Carlos Moedas realçou o trabalho que tem sido feito em prol da reciprocidade, para que seja mais fácil apoiar as empresas portuguesas naquele país. “Eu sei que uma empresa chinesa que esteja na Europa que vá ao programa, consegue dinheiro do Horizonte 2020. Mas se uma empresa europeia estiver na China, não consegue dinheiro do Governo”, explica.

“Inteligência Artificial pela Humanidade”

Na “maratona” da inovação, Carlos Moedas acredita que o importante é a “forma como se corre”, defendendo que “se cooperarmos, corremos mais depressa”. O Comissário Europeu defende a máxima “AI for Humanity” [Inteligência Artificial pela Humanidade], e a digitalização em prol da democracia.

Inspirado pela participação na terceira edição da Web Summit, em Lisboa, no início deste mês, o Comissário Europeu defende que a tecnologia blockchain pode contribuir para combater desigualdades, por exemplo, pela integração dos vários atores na economia.

É otimista e sublinha que é importante “não ter medo” da Inteligência Artificial, pois pode ser essencial para ultrapassar desafios. “Inteligência artificial não é a inteligência ou a inteligência humana, é a possibilidade de associar muitos números, o que nós não fazemos muito bem, e isso pode ajudar-nos a ser mais inteligentes”.

“Há uma parte do mundo que vê a inteligência artificial como robôs que se parecem com humanos, e não acho que seja muito interessante. É a minha visão e a que a Alemanha tem agora, e a visão que o Presidente Macron (França) lançou com a “IA For Humanity”.

Para conseguir aplicar a visão europeia desta IA a favor da Humanidade, Carlos Moedas acredita que “preciso investir mais e atrair o setor privado”. “Estamos a tentar fazer com que o setor privado tenha menos fronteiras entre os países, com o mercado Único Digital”, por exemplo, através do InvestEU, com o propósito de “ter um pouco de capital público com muito capital privado, na esperança de chegar aos 2 mil milhões, e esses podem subir para os 10 ou 12 mil milhões”, revela o Comissário Europeu.

Tecnologia versus democracia

“A tecnologia que era tão boa para nós e para as nossas vidas está a destruir, de certo modo, a democracia. É preciso ter coragem para dizer isto, mas é importante ser dito. É por isso que temos que nos focar em como utilizar a tecnologia para restabelecer a democracia, porque a democracia não é um conceito digital”.

Seguindo os princípios democráticos, o Comissário Europeu afirma ser contra políticas europeístas radicais. “Qualquer coisa que esteja relacionada com o conceito “Europa First” ou “We Against Them” [nós contra os outros] é politicamente errado. Cria esta política sobre o inimigo”. Para o Comissário Europeu, a ciência “deve ser aberta”.

“A ciência tem que ser aberta. Há poucas coisas que podemos fazer sozinhos como um país, como uma universidade. Há muito mais que se pode fazer em conjunto, se se partilhar conhecimento. Devemos ser abertos, mas não ingénuos”.

“Tudo leva o seu tempo e se queremos ter um orçamento a 1 de janeiro de 2021, é necessário chegar a um acordo de trabalho dois anos antes”. Por isso, o Comissário Europeu defendeu, por fim, que o orçamento terá que ser aprovado o quanto antes, principalmente antes da realização das eleições, para evitar momentos de “incerteza” para as empresas.

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