Comércio internacional

Censura chinesa tenta controlar narrativa sobre guerra comercial com os EUA

Fotografia: Direitos Reservados
Fotografia: Direitos Reservados

A censura chinesa está a tentar controlar a narrativa sobre a guerra comercial com Washington, através de uma lista enviada à imprensa doméstica sobre o que pode ou não escrever, revelou um jornal de Hong Kong.

O jornal South China Morning Post (SCMP), que cita quatro jornalistas chineses não identificados, diz que as autoridades pediram à imprensa que seja “extremamente cuidadosa” para não relacionar a guerra comercial com a queda nas praças financeiras chinesas, a desvalorização do yuan ou o abrandamento da economia, visando evitar o pânico.

No espaço de um mês, a bolsa de Xangai caiu já mais de 9%, enquanto o yuan, a moeda chinesa, tem desvalorizando continuamente, refletindo o nervosismo dos investidores, face às disputas comerciais entre Pequim e Washington.

“Quando reportamos uma queda na bolsa ou a desvalorização do yuan não podemos escrever ‘guerra comercial’ na manchete”, contou ao SCMP um dos jornalistas.

Outro jornalista contou que “diferentes organizações terão margens distintas na cobertura”.

A imprensa estatal com maior posicionamento político está autorizada a publicar notícias e editoriais sobre a guerra comercial, enquanto a imprensa local e portais eletrónicos podem apenas republicar conteúdo dos órgãos oficiais, e sem dar muita relevância ao tema.

É também proibido publicar uma tradução imediata de afirmações do Presidente norte-americano, Donald Trump, no Twitter, rede social que está bloqueada na China.

Este mês, o Presidente norte-americano, Donald Trump, impôs taxas alfandegárias de 25% sobre 34 mil milhões de dólares (29 mil milhões de euros) de importações chinesas, contra o que considera serem “táticas predatórias” por parte de Pequim, que visam o desenvolvimento do seu setor tecnológico.

A China retaliou com o aumento dos impostos sobre o mesmo valor de importações oriundas dos EUA.

Trump ameaçou impor mais taxas alfandegárias, de 10%, sobre um total de 200 mil milhões de dólares de produtos chineses e, caso Pequim volte a retaliar e recuse aceder às exigências norte-americanas, subirá para 500 mil milhões, cerca da totalidade das importações norte-americanas oriundas do país asiático.

Analistas preveem que aquelas medidas, case se concretizem, levariam a um abrandamento de mais de 0,3% no ritmo de crescimento da economia chinesa, que no segundo trimestre do ano se fixou em 6,7%.

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