Internacional

Crise permanece na Venezuela, cinco anos após a morte de Chavez

Fotografia: Carlos Garcia Rawlins/Reuters
Fotografia: Carlos Garcia Rawlins/Reuters

Apesar de a Venezuela ter uma das maiores reservas de petróleo do mundo, a crise económica interna agudizou-se, especialmente nos últimos três anos.

Cinco anos após a morte do líder venezuelano Hugo Chávez, a revolução bolivariana sobreviveu, mas num país marcado pelas constantes convulsões sociais e económicas que o atual Presidente, Nicolás Maduro, não consegue estancar.

A poucos meses das eleições presidenciais adiadas para a segunda quinzena de maio – anteriormente previstas para 22 de abril — o Presidente Maduro apresenta-se a um segundo mandato para permanecer no poder até 2025 e tem como opositores Henri Falcón, um dissidente do ‘chavismo’, e quatro outros candidatos.

O principal partido de oposição Unidade Democrática (UD, antiga Mesa de Unidade Democrática) já anunciou que não apresentará candidatos às eleições presidenciais antecipadas, para não legitimar o que considera ser um processo ilegítimo.

“Não contem com a UD, nem com o povo para dar o aval ao que até agora é apenas um simulacro fraudulento e ilegítimo de eleições presidenciais”, explicou a oposição em comunicado.

Maduro, que era vice-presidente de Chavez, falecido a 05 de março de 2013, não teve um primeiro mandato nada tranquilo, depois de ter vencido as eleições com 50,66 % dos votos.

Apesar de a Venezuela ter uma das maiores reservas de petróleo do mundo, a crise económica interna agudizou-se, especialmente nos últimos três anos.

Segundo um estudo divulgado pela Hercon Consultores, em fevereiro, a situação da economia venezuelana agravou-se “gravemente” desde 2014 com 89,5% dos venezuelanos a obterem rendimentos insuficientes para satisfazer as necessidades básicas.

“Já não são tempos do ‘boom’ petrolífero, o país vive uma espécie de desmoronamento social, hiperinflação, que afeta com maior intensidade os mais vulneráreis, faz com que aumentem os lares em condição de pobreza e altos níveis de pobreza, que afetam mais de 70% das famílias”, refere o mesmo estudo intitulado de “Contexto Venezuela, Expectativa e Situação Económica”.

Os apagões energéticos são cada vez mais frequentes. Apesar de se registarem principalmente no interior do país têm-se sentido também na cidade Caracas. Só em fevereiro verificaram-se quatro grandes apagões que afetaram o distrito capital.

As manifestações antigovernamentais são constantes, em especial às que ocorreram entre abril e julho do ano passado e que segundo a Amnistia Internacional resultaram em “pelo menos 120 mortos e mais de 1.000 feridos”.

Maduro sempre assumiu a sua lealdade incondicional aos ideais “chavistas”, regime que se inspira no movimento nacionalista iniciado por Simón Bolívar, general venezuelano do século XIX que liderou a luta pela independência de vários países sul-americanos.

O ideário antiamericano e a revolução permanente da esquerda da América Latina são duas das marcas do ‘chavismo’, inspirado pela Revolução Cubana, e que influenciou vários governos de esquerda na região.

Depois da subida ao poder de vários apoiantes, mais ou menos próximos, de Hugo Chávez, a tendência tem sido a reconquista do poder por parte das organizações de centro-direita, mais próximas de Washington.

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