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FMI acaba com limite de idade. Georgieva já pode assumir liderança

Kristalina Georgieva, diretora-executiva do Banco Mundial, em janeiro de 2019. Fotografia: REUTERS/Arnd Wiegmann
Kristalina Georgieva, diretora-executiva do Banco Mundial, em janeiro de 2019. Fotografia: REUTERS/Arnd Wiegmann

A búlgara estava impedida de dirigir a instituição uma vez que já ultrapassa o limite de idade de 65 anos imposto pelos estatutos do Fundo.

A búlgara Kristalina Georgieva já pode assumir a liderança do Fundo Monetário Internacional. O último obstáculo está prestes a ser derrubado com a recomendação do conselho executivo do FMI para que o limite de idade seja removido dos estatutos.

“O conselho executivo recomendou esta quarta-feira, dia 21 de agosto, que o Conselho de Governadores do FMI vote a remoção do limite de idade que atualmente se aplica ao cargo de Diretor-Geral”, lê-se no comunicado divulgado na página da instituição.

Os estatutos da organização impediam, desde 1951, a nomeação de um candidato com 65 anos ou mais e a permanência no cargo para além dos 70 anos de idade. Na nota, o Conselho Executivo lembra que “ao eliminar o limite de idade alinha os termos da nomeação do Diretor-Geral com os dos membros do Conselho Executivo e os do Presidente do Banco Mundial, que não estão sujeitos a limite de idade.”

O Conselho de Governadores do FMI representa os 189 países membros. Para alterar os estatutos é necessária uma maioria simples e a participação mínima exigida é de dois terços do total do poder de voto entre os Governadores.

O comunicado indica que a votação está agendada para decorrer entre os dias 21 de agosto e 04 de setembro.

À medida de Georgieva

A proposta agora avançada pelo Conselho Executivo do FMI é feita à medida da candidata apoiada pela União Europeia. A búlgara Kristalina Georgieva é uma respeitada economista e já esteve à frente do Banco Mundial onde exercia agora o cargo de diretora-executiva.

A antiga vice-presidente da Comissão Europeia, com as pastas do orçamento e recursos humanos, completou 66 anos no passado dia 13 de agosto, ficando impedida, pelas regras atuais, de substituir Christine Lagarde no FMI, que vai assumir em novembro a liderança do Banco Central Europeu.

Depois de ganhar a corrida, onde chegou a figurar Mário Centeno, o limite de idade era a última barreira para que Georgieva assumisse o cargo.

Uma regra informal contestada

As lideranças das grandes instituições internacionais obedecem a uma regra (informal) que divide os cargos entre os Estados Unidos e a Europa.

Uma vez que o Banco Mundial já está do lado dos EUA, à Europa cabe agora a direção do FMI. É uma regra há muito contestada pelos países africanos e asiáticos que tradicionalmente ficam excluídos.

Está a decorrer online uma carta aberta aos diretores-executivos e governadores do FMI para que se acabe com o “acordo de cavalheiros” na distribuição dos cargos de direção no Banco Mundial e no Fundo Monetário.

A missiva é assinada por mais de uma centena de organizações e académicos.

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