Coronavírus

Ruas desertas de Veneza a Roma. Itália em tempo de pandemia é um país fantasma

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Veja as imagens de como isolamento social para combater o coronavírus (Covid-19) está a transformar as cidades italianas, num clima emergência pública

Quem está acostumado a ver uma Itália sempre movimentada e cheia de turistas, vai ficar surpreendido por ver as imagens mais recentes que têm chegado do país do dolce far niente – o doce prazer do ócio ou de não fazer nada em particular -, devido à situação que o país se encontra neste momento com a epidemia.

O que antes se concentrava apenas a norte, agora já se espalhou para todas as 20 regiões italianas, totalizando mais de 63 mil infetados e mais de 6 mil mortos por conta da doença, o cenário mais grave do vírus em número de mortes no mundo.

Foi aliás, esse estilo de vida descontraído do dolce far niente italiano, onde a vida social é fundamental para a maioria dos italianos, que pode ser ajudado a propagar o vírus mais rapidamente do que se suponha inicialmente, admitem as autoridades do país – o novo coronavírus chegou ao país a 31 de janeiro, precisamente ao norte do país.

Neste momento são vários os estabelecimentos que medem à porta a temperatura aos clientes e só os quem não têm febre podem entrar. Há polícia e militares pelas ruas das cidades a pedir a identificação de quem anda na rua e a comprovar se estão fora de casa por motivos verdadeiramente importantes e necessários.

Desde sexta-feira passada que foram recrutados soldados para a reforçar o bloqueio (lock down) que se vive em Itália, especialmente depois de terem subido vertiginosamente o número de mortes a semana passada no norte do país – a região mais afetada é a da Lombardia – e de especialistas médicos chineses que têm estado a ajudar Itália a lidar terem alertado que as restrições impostas na Lombardia não eram “suficientemente rígidas”.

Todo o tipo de espaços públicos, como parques infantis, praias, bancos públicos estão interditos ao uso, com faixas a limitar a sua entrada, algo que já decorre há algumas semanas e já se começa a ver em Portugal. Itália é visto como um possível exemplo do que se pode passar nos próximos dias noutros países europeus, já que o surto chegou lá mais cedo.

Não faltam imagens de diversos monumentos lendários e ruas históricas de Roma desertas ou com a polícia atenta, a identificar cada pessoa que sai das suas casas, criando pressão para que existam poucas saídas – depois de vários italianos terem começado por ignorar os apelos das autoridades no início do mês. Do Coliseu de Roma, completamente vazio de turistas, até uma Fontana di Trevi sem ninguém a tirar selfies, nem tão pouco a atirar moedas, naquela que é também uma irónica oportunidade de limpar e dar descanso a alguns dos principais monumentos da Roma antiga.

Em Roma um dos problemas atuais mais prementes é o excesso de lixo que se acumula nos caixotes. O motivo? O aterro sanitário de Colleferro, que recebe cerca de um terço do lixo produzido na capital italiana, foi encerrado pelo governador da região do Lazio, de que Roma faz parte, por falta de condições. A solução, agora, terá de passar por levar o lixo para instalações que o possam tratar antes de irem para o aterro, algo que está a demorar por divergências políticas.

Papa Francisco, a 15 de março, a andar pelas ruas do Vaticano.  EPA/VATICAN

Papa Francisco, a 15 de março, a andar pelas ruas do Vaticano. EPA/VATICAN

A maioria dos sem-abrigo sobrevive nesta altura graças a serviços oferecidos pela Igreja Católica. No passado dia 15, o Papa Francisco realizou uma visita a pé, não oficial, à Basílica de Santa Maria Maggiore e à Igreja de San Marcello al Corso, onde rezou pelo fim da pandemia do novo coronavírus, pela cura dos infetados, e também pelos profissionais de saúde que se encontram na linha da frente.

Já em Veneza – cidade que não só cancelou o seu famoso Carnaval em fevereiro, como viu a produção do novo Missão Impossível cancelar as gravações com Tom Cruise pelos seus normalmente agitados e ocupados canais – está perfeita para tirar fotografias idílicas e pacíficas: sem ninguém e com a água límpida.

A bizarra ausência de turistas e de trânsito frenético nas ruas e de barcos na água dos bonitos canais fez com que a água nunca estivesse tão limpa, indicam as autoridades que também têm aproveitado para proceder a uma limpeza mais eficaz. As ruas também foram desinfetadas permitindo, de forma consistente, tirar maus cheiros antigos a algumas das zonas mais recônditas da cidade dos canais.

Também há imagens de Milão e Turim, permitindo ter noção do que se vive nesta ‘nova’ Itália neste momento, um cenário cada vez mais parecido com o que se vê por estes dias em Portugal – embora em Itália já se viva há mais tempo.

Entretanto, a Organização Mundial de Saúde deixou ontem um alerta: “A pandemia está a acelerar”. Em apenas quatro dias passou-se de 200 mil registados (ou seja, que foram alvo de testes), para os 368 mil casos e, esta terça-feira, o quinto dia desta contagem, já se superou os 400 mil de infetados e mais de 17 mil mortos.

* Com Luís Stoffel

 

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