Protestos civis em França

Governo francês decide hoje se declara Estado de Emergência

Bombeiros apagam viaturas incendiadas por manifestantes usando coletes amarelos, símbolo de um protesto de motoristas franceses contra o aumento de impostos sobre os combustíveis, durante confrontos perto da Place de l'Etoile em Paris, França, 1 de dezembro, 2018. REUTERS/Stephane Mahe
Bombeiros apagam viaturas incendiadas por manifestantes usando coletes amarelos, símbolo de um protesto de motoristas franceses contra o aumento de impostos sobre os combustíveis, durante confrontos perto da Place de l'Etoile em Paris, França, 1 de dezembro, 2018. REUTERS/Stephane Mahe

Paris viveu este sábado o dia mais agitado desde os protestos civis de 1968. Aumento do custo de vida está por detrás das manifestações.

O governo francês está a ponderar declarar Estado de Emergência depois dos incidentes registados na sequência da maior agitação registada em Paris desde os protestos civis em 1968.

“Está fora de questão que cada fim-de-semana se torne numa reunião ou ritual para a violência”, afirmou o porta-voz do governo francês, Benjamin Griveaux, este domingo, citado pela Reuters.

A possibilidade de ser declarada situação de Estado de Emergência surge após distúrbios ocorridos ontem, que levaram à detenção de mais de 400 pessoas, enquanto 133 ficaram feridas, incluindo 23 membros das forças policiais, segundo a Reuters.

Numa situação de Estado de Emergência, podem ser alteradas ou reforçadas funções das autoridades ou ser suspensos direitos e liberdades dos cidadãos.

A decisão de impor um Estado de Emergência poderá sair de uma reunião urgente agendada para este domingo. O presidente francês, Emmanuel Macron vai reunir com o primeiro-ministro e o ministro do Interior para analisar os distúrbios que constituem o maior desafio nos seis 18 meses como presidente.

Na reunião, vai ser ainda debatido como irão ser iniciadas as negociações com os ‘coletes amarelos’, que não não têm uma estrutura ou líder.

Manifestantes pediram a demissão do presidente Emmanuel Macron, cuja popularidade tem vindo a descer e atingiu os 30%.

Contra o aumento do custo de vida

As manifestações dos ‘coletes amarelos’ – símbolo dos motoristas – começaram em meados de novembro em protesto contra o aumento dos impostos sobre os combustíveis e o elevado nível de custo de vida em França.

Os protestos refletem o profundo descontentamento dos franceses contra as políticas económicas liberais das últimas quatro décadas, que consideram que têm favorecido os mais ricos e as grandes empresas.

A rebelião popular tem-se vindo a espalhar nas redes sociais, com manifestantes a bloquear estradas e a impedir o acesso a centros comerciais, fábricas e bombas de combustíveis em França.

 

As autoridades francesas receiam que grupos de extrema-direita e da extrema-esquerda se tenha infiltrado nos protestos de ontem que se concentraram sobretudo na capital mas se estenderam a outras cidades de França, como Nantes, Marselha e Toulouse.

Grupos de pessoas usando máscara incendiaram ontem viaturas e edifícios em Paris, pilharam lojas, partiram vidros de janelas e encetaram confrontos com a polícia, que usou canhões de água e gás lacrimogéneo contra os manifestantes.

Mas o ministro do Interior, Christophe Castaner, afirmou que a maioria dos detidos eram simples manifestantes.

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