Coronavírus

Itália com mais 743 mortes em 24h. “Vão para casa, vocês não são o Will Smith!”

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Roma, Itália EPA/ANGELO CARCONI

Itália volta a preocupar com o número de mortes a subir para as 6.820. A pandemia limita o país desde fevereiro e os autarcas fazem apelos exaltados

Desde quinta-feira passada que é o país do mundo com mais mortes devido ao surto do novo coronavírus a nível mundial, superando na altura a China. Mas a situação tem-se vindo a agravar de dia para dia, especialmente no número de vítimas mortais que, esta terça-feira subiu para as 6.820, mais 743 do que se registava esta segunda-feira.

Itália duplica assim em poucos dias o número de fatalidades registadas na China (3277), que tem vindo a conseguir conter a propagação e o número de mortes. Já os casos infetados subiram em 5.249 para um total de 69.176 pessoas contagiadas – cada vez mais perto do registo da China, de 81 mil. Recuperaram no último dia 894 pessoas (o número total de pessoas que já ultrapassaram a doença é de 8.326).

Só com a doença do Covid-19 estão 21.937 pessoas internadas nos hospitais italianos, com 3.396 a terem de estar nos cuidados intensivos e 28.697 estão sob vigilância em quarentena em casa.

Autarcas exaltados pela vida social da população

Entretanto, as autoridades italianas estão a perder a paciência para o estilo de vida social – o dolce fare niente – que muitos italianos ainda tentam ter em algumas localidades, daí que comecem a fazer apelos cada vez mais agressivos, isto além dos militares já estarem no terreno a tentar fazer cumprir o bloqueio imposto no país.

Com o segundo mês de pandemia a assolar o país quase perto do fim e mais de seis mil mortos, há já um desespero dos autarcas em pedir aos seus munícipes para não saírem, inclusive lembretes de que não estão num filme. Um dos políticos diz mesmo aos seus munícipes que eles não são heróis cinematográficos sozinhos pelo mundo como aquele interpretado por Will Smith no filme pós-apocalíptico numa Nova Iorque praticamente deserta Eu Sou a Lenda (2007).

O vídeo em baixo resume alguns dos apelos espalhados pelo país.

O que antes se concentrava apenas a norte, já se espalhou para todas as 20 regiões italianas, totalizando mais de 63 mil infetados e mais de 6 mil mortos por conta da doença, o cenário mais grave do vírus em número de mortes no mundo.

Foi aliás, esse estilo de vida descontraído do dolce far niente italiano, onde a vida social é fundamental para a maioria dos italianos, que pode ser ajudado a propagar o vírus mais rapidamente do que se suponha inicialmente, admitem as autoridades do país – o novo coronavírus chegou ao país a 31 de janeiro, precisamente ao norte do país.

Neste momento são vários os estabelecimentos que medem à porta a temperatura aos clientes e só os quem não têm febre podem entrar. Há polícia e militares pelas ruas das cidades a pedir a identificação de quem anda na rua e a comprovar se estão fora de casa por motivos verdadeiramente importantes e necessários.

Desde sexta-feira passada que foram recrutados soldados para a reforçar o bloqueio (lock down) que se vive em Itália, especialmente depois de terem subido vertiginosamente o número de mortes a semana passada no norte do país – a região mais afetada é a da Lombardia – e de especialistas médicos chineses que têm estado a ajudar Itália a lidar terem alertado que as restrições impostas na Lombardia não eram “suficientemente rígidas”.

Todo o tipo de espaços públicos, como parques infantis, praias, bancos públicos estão interditos ao uso, com faixas a limitar a sua entrada, algo que já decorre há algumas semanas e já se começa a ver em Portugal. Itália é visto como um possível exemplo do que se pode passar nos próximos dias noutros países europeus, já que o surto chegou lá mais cedo.

Em Roma um dos problemas atuais mais prementes é o excesso de lixo que se acumula nos caixotes. O motivo? O aterro sanitário de Colleferro, que recebe cerca de um terço do lixo produzido na capital italiana, foi encerrado pelo governador da região do Lazio, de que Roma faz parte, por falta de condições. A solução, agora, terá de passar por levar o lixo para instalações que o possam tratar antes de irem para o aterro, algo que está a demorar por divergências políticas.

A região da Lombardia, no norte, a mais atingida, permanece em situação crítica, com um total de 3776 mortes e 28.761 casos.

Veja a galeria de fotos: Ruas desertas de Veneza a Roma. Itália em tempo de pandemia é um país fantasma

Postos de combustíveis vão fechar

Os postos de combustíveis italianos vão começar a encerrar a partir da noite desta quarta-feira, foi anunciado em comunicado pelas associações do setor de reabastecimento energético, que se queixam da falta de máscaras e luvas para os 100 mil trabalhadores do ramo.

“Já não estamos numa situação de, sozinhos, garantir o nível de segurança sanitária necessário ou a estabilidade económica do serviço”, dizem as organizações que admitem que a medida drástica vá aprofundar a paralisação do país.

Entretanto, a Organização Mundial de Saúde deixou ontem um alerta: “A pandemia está a acelerar”. Em apenas quatro dias passou-se de 200 mil registados (ou seja, que foram alvo de testes), para os 368 mil casos e, esta terça-feira, o quinto dia desta contagem, já se superou os 400 mil de infetados e mais de 17 mil mortos.

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