Brexit

Mais de 250 empresas do Reino Unido contactam Holanda por causa do Brexit

Theresa May, PM britânica, cumprimenta Mark Rutte, PM holandês. Fotografia: REUTERS/Piroschka van de Wouw
Theresa May, PM britânica, cumprimenta Mark Rutte, PM holandês. Fotografia: REUTERS/Piroschka van de Wouw

Depois da Panasonic, foi a vez da Sony britânica anunciar que vai mudar-se do Reino Unido para a Holanda por causa do brexit.

Mais de 250 empresas com sede no Reino Unido (RU) estão a contactar o governo da Holanda e as autoridades do país para avaliar a possibilidade de transferirem as suas operações para território holandês, uma forma de evitar as incertezas e os impactos eventualmente devastadores da saída do Reino Unido da União Europeia (brexit), que está agendada para o próximo dia 29 de março.

Muitos temem a saída sem qualquer acordo, o que poderia redundar em caos e em colapso nos mercados.

De acordo com o governo da Holanda, citado pela AFP, “as autoridades holandesas estão em contacto com mais de 250 empresas sobre uma possível transferência pós-brexit”.

Isto acontece no dia em que a Sony (filial britânica) anunciou que vai passar a sede de Londres para Amesterdão.

E não está sozinha. A sua concorrente japonesa Panasonic UK também já disse que vai fazer o mesmo.

Esta semana, segundo a Lusa, o fabricante de aspiradores, aquecedores e secadores de cabelo britânico Dyson, cujo fundador, o inventor britânico James Dyson, é um destacado defensor do brexit, revelou que vai transferir a empresa para Singapura.

Michiel Bakhuizen, o porta-voz da Agência Holandesa para o Investimento Estrangeiro, disse à AFP que no final de fevereiro o governo holandês irá fazer um balanço das empresas que querem fugir do Reino Unido para a Holanda por causa do brexit. “Cada novo negócio que chega ao nosso país, seja grande ou pequeno, é um sucesso”.

Mais do triplo em apenas dois anos

Ainda segundo a AFP, Haia está “em contacto com mais de 250 interessados numa eventual mudança para a Holanda por causa do brexit” e o número de empresas tem vindo a crescer de forma exponencial.

“No início de 2017 eram 80, no início de 2018 eram 150 e agora são mais de 250“, acrescentou. Ou seja, o número de companhias interessadas em sair do RU mais do que triplicou em dois anos.

Para Michiel Bakhuizen, “esse aumento vai continuar e não é estranho que assim seja porque neste momento há uma grande incerteza na Grã-Bretanha”, um clima que é “muito mau para os negócios”, refere ainda a AFP.

Já a Lusa dá conta de um número crescente de empresas que “está a ativar planos de contingência”, sobretudo para o caso de uma saída sem acordo. Várias anunciaram esse tipo de planos nas últimas 24 horas.

Uma delas, diz a agência portuguesa, é a centenária P&O Ferries, empresa de navegação que explora as rotas entre Grã-Bretanha e França (ligação Dover-Calais), entre Grã-Bretanha e Holanda (Hull-Roterdão), entre outras.

Segundo a P&O, a empresa vai passar a operar com bandeira do Chipre, garantindo assim que fica sob a legislação da UE, salvaguardando assim direitos e benesses de circulação na Europa continental.

“Por razões operacionais e contabilísticas, concluímos que o melhor curso de ação é registar de novo os navios para navegarem todos sob a bandeira de Chipre”, referiu a empresa.

Esta quarta-feira, houve mais um anúncio de peso. O gigante da banca Santander anunciou que pretende encerrar cerca de 140 agências no Reino Unido até final do ano. O plano já estaria previsto porque faz parte da reestruturação em curso ligada à crescente importância da banca online. Em todo o caso, a supressão destes balcões deve deixar 1.270 pessoas sem trabalho. E aproveita a onda de incerteza do brexit.

Atualmente, o brexit (e como será conduzido) é uma incógnita total. O Parlamento britânico rejeitou o acordo que alcançado com a UE, mas entretanto não sinalizou o que pode ou deve ser melhorado, se vai trabalhar com o governo num novo acordo.

Centeno diz que zona euro está a preparar-se para o que der e vier

Em entrevista à Bloomberg, o presidente do Eurogrupo, Mário Centeno, reiterou esta quarta-feira que estão a ser considerados todos os cenários de saída do Reino Unido da União Europeia, referindo questões políticas na origem dos riscos para a economia internacional.

A falar em Davos (Suíça), no Fórum Económico Mundial de Davos, Mário Centeno deixou claro que “todos os cenários estão a ser preparados”, mas repetiu que é de “evitar um cenário de saída sem acordo, porque seria bastante negativo para a União Europeia, mas especialmente para o Reino Unido”.

“É difícil tratar o Reino Unido como terceiro país [não membro da UE], mas acredite que estamos a preparar-nos para o fazer”, disse Centeno à Bloomberg.

(atualizado às 20h com mais informações)

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