Reino Unido

May. “O Partido Conservador é o único com capacidade de fazer cumprir o Brexit”

Foto: REUTERS/Hamad I Mohammed
Foto: REUTERS/Hamad I Mohammed

Partido Conservador vai formar governo com unionistas da Irlanda do Norte

A primeira-ministra britânica, Theresa May, falhou a maioria nas eleições antecipadas no Reino Unido, num resultado que é um duro golpe para a credibilidade do Partido Conservador e que levanta dúvidas sobre a vontade dos britânicos relativamente ao Brexit e garantiu que o Partido Conservador é “o único com capacidade de fazer cumprir o Brexit”.

Em declarações aos jornalistas após um encontro com a Rainha Isabel II a primeira-ministra confirmou que vai formar governo com o partido unionista da Irlanda do Norte, por ter falhado alcançar a maioria, e que vai “continuar a pôr em prática as mudanças que sempre defendeu”.

“Nos próximos 5 anos vamos construiu um mundo de prosperidade onde todos tenham as mesmas oportunidades”, avançou Theresa May. A ministra disse ainda que o partido vai terminar com a ideologia do extremismo e proporcionar “justiça, oportunidades e prosperidade a todos”.

 

May, que substituiu David Cameron quando este se demitiu depois do referendo aos britânicos ter votado favoravelmente a saída do Reino Unido, não foi eleita e convocou eleições antecipadas, em abril. Estas visavam reforçar a sua presença no Governo, numa altura em que se começa a negociar o Brexit e o Reino Unido tem sido assolado de vários ataques terroristas, o que levanta preocupações com a segurança.

Quando estavam contados os votos de 632 dos 650 círculos eleitorais, o Partido Conservador tinha conseguido eleger 308 deputados, número que matematicamente o impede de alcançar os 326 necessários para conquistar a maioria absoluta no parlamento.

O Partido Trabalhista, de Jeremy Corbyn, somava 257 deputados, enquanto o Partido Nacionalista Escocês (SNP) contava com 34 assentos e os liberais-democratas com 12, o que significa que nenhum partido tem assentos suficientes para governar sozinho e precisará de fazer coligações.

Theresa May marcou uma intervenção para as 10h e a casa de investimento Citi espera que a primeira-ministra se demita, defendendo que o parlamento suspenso torna mais provável um soft Brexit, mantendo o Reino Unido no mercado único.

O resultado leva a um parlamento suspenso, ou seja, nenhum partido obteve a maioria absoluta. O partido Conservador ganhou mais assentos mas não terá a assegurado os 326 necessários para a maioria, numa altura em que os resultados já estão praticamente contabilizados.

A primeira-ministra terá dificuldades em formar uma coligação, com alguns partidos a garantir que não existirão acordos para a maioria no Parlamento. Foi o caso dos liberais democratas e também do Sinn Féin, partido de esquerda da Irlanda do Norte anti-soberania britânica.

A libra segue em queda com os resultados preliminares, deslizando mais de 1% ao início da manhã. A surpresa do resultado chegou a fazer a moeda cair mais de 2%. Está a bater mínimos de oito semanas contra o dólar. Já o Footsie abriu em alta, somando cerca de 1% ao início da sessão, fruto da exposição de muitas empresas aos mercados internacionais e que beneficiam com a queda da libra esterlina.

Os analistas políticos e vários deputados dizem que Theresa May deu “um tiro no pé”, já que as eleições só estavam previstas para 2020. A Allianz, por seu turno, refere que “a aposta correu mal e os mercados estão a avaliar de forma mais complexa a implementação política, incluindo o Brexit”.

Líder do UKIP demite-se

Entretanto os resultados das eleições já fizeram a primeira baixa. O líder do UKIP, Paul Nuttall, anunciou a demissão ao final da manhã desta sexta-feira, na sequência do descalabro eleitoral. O UKIP, partido antieuropeísta e anti-imigração, não conseguiu eleger qualquer deputado na eleição de ontem.

Paul Nuttal afirmou em conferência de imprensa que o UKIP, principal defensor do Brexit, foi “vítima do seu próprio êxito”. O partido vai agora organizar eleições internas com o objetivo de “redefinir os objetivos políticos”.

[atualizada às 13h08 com declarações de Theresa May]

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