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Pedro Sánchez. “O Brexit é uma desgraça”

Pedro Sánchez, presidente do governo de Espanha. EPA/SERGIO BARRENECHEA
Pedro Sánchez, presidente do governo de Espanha. EPA/SERGIO BARRENECHEA

Primeiro-ministro de Espanha diz que quem vai perder a sério são "os que mais precisam da proteção do governo, os mais vulneráveis".

Quando Espanha fez a sua adesão à então chamada Comunidade Económica Europeia (CEE), juntamente com Portugal, em 1985, o atual primeiro-ministro (PM) espanhol, Pedro Sánchez, tinha 13 anos e, diz ele, lembra-se “claramente” desse dia e de como essa união iria garantir ao seu país “a democracia e a liberdade” que nunca teve durante a ditadura. Ia ser bom.

Hoje, confessou o chefe de governo de Espanha, no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, vê o Brexit como “uma desgraça” para todos: para a União Europeia e para o Reino Unido. Vai ser mau.

Dirigindo-se aos deputados europeus para elaborar sobre o que deve ser o futuro da Europa, o político socialista disse, em relação à votação de ontem [terça-feira] no Parlamento britânico, que a “respeita”, mas que “não posso deixar de lamentar a rejeição negativa do acordo de saída do Reino Unido da União Europeia”.

Sánchez lembrou que o acordo em causa “foi negociado durante um ano e meio” e que a seu ver era “o melhor acordo possível”.

“É a opção que melhor protege os interesses de ambas as partes. Os direitos dos seus cidadãos e dos agentes económicos. Um acordo que contém um equilíbrio de concessões que seriam difíceis de alcançar e que procura uma saída ordenada.”

Este cenário menos mau foi adiado e ninguém sabe ainda o que vai acontecer de seguida.

Para Sánchez, cabe agora ao Governo do Reino Unido “tomar as decisões que julgar apropriadas sobre as medidas a serem tomadas. Nós estamos a fazer o nosso trabalho; a adotar, quer os Estados membros, que a Comissão Europeia, as medidas necessárias para minimizar o impacto de uma possível saída sem acordo”.

Mas, seja com ou sem acordo, para o líder espanhol “o Brexit é uma desgraça”. “Para o povo britânico e para a União. Ninguém vence. Todos perdemos. Especialmente os britânicos. E, em particular, os que mais precisam da proteção do governo, os mais vulneráveis”, sublinhou. Foi aplaudido.

O PM espanhol repetiu, ainda assim, que o Brexit é uma “decisão soberana que não podemos deixar de respeitar”, mas que espera que o Reino Unido “opte por manter uma relação o mais próxima possível da União Europeia”.

Só assim aquela monarquia se manterá próxima dos “nossos princípios”: “a integridade do mercado interno, o respeito pelas quatro liberdades de livre circulação, a autonomia de decisão”. “É dentro do quadro destes três pontos que sempre nos encontraremos”, rematou Sánchez.

  • * Em Estrasburgo, a convite do Parlamento Europeu
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