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Petróleo: UE finaliza solução para contornar sanções dos EUA ao Irão

Federica Mogherini, principal responsável pela diplomacia da União Europeia. 28 de novembro de 2018. Fabrice Coffrini/REUTERS
Federica Mogherini, principal responsável pela diplomacia da União Europeia. 28 de novembro de 2018. Fabrice Coffrini/REUTERS

Federica Mogherini anunciou confirmou que a entidade da UE que continuará a negociar petróleo com o Irão deve ficar pronta nas próximas semanas.

A entidade concebida pela União Europeia para continuar a comprar petróleo do Irão, apesar das sanções do EUA, pode arrancar ainda antes do fim do ano, disse esta segunda-feira a chefe da diplomacia europeia.

Federica Mogherini, principal responsável pela diplomacia da União Europeia (UE), afirmou esta segunda-feira em Bruxelas, após uma reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros, que a entidade que continuará a negociar petróleo com o Irão deverá ficar pronta nas próximas semanas.

“Não posso revelar pormenores, mas o trabalho está a progredir bem”, afirmou Mogherini, acrescentando que cabe aos três países da UE signatários do acordo nuclear com o Irão (França, Alemanha e Reino Unido) terminarem o projeto.

“As discussões continuarão para decidir a forma exata deste instrumento, a sua localização e figura jurídica que assumirá, mas por enquanto nada está decidido”, esclareceu a responsável da União Europeia.

Um jornal alemão avançou esta semana que a organização ficará com sede em França e será liderada por um alemão, mas nenhuma destas informações foi ainda confirmada pelas autoridades comunitárias.

“O objetivo é colocá-lo em prática o mais depressa possível”, afirmou Federica Mogherini.

Nem todos os Estados membros estarão envolvidos no projeto, que será voluntário, mas os não participantes não o poderão bloquear.

O instrumento deverá assumir a forma de um veículo financeiro especial (Special Purpose Vehicle) e deverá gerar dinheiro para as compras de petróleo do Irão para a União Europeia, seguindo um modelo de câmara de compensação.

Os europeus não descartam a possibilidade de esta entidade poder alargar-se para fora do espaço comunitário, a países que decidam desafiar as sanções dos EUA, incluindo a China, a Índia e a Turquia (que, provisoriamente, ficam isentas dos boicotes).

Este projeto da União Europeia está a irritar o governo norte-americano.

O líder diplomático dos EUA, Mike Pompeo, já advertiu os europeus contra qualquer tentativa de contornar as sanções de compra de petróleo ao Irão, que visam obrigar o governo de Teerão a renegociar acordos de desnuclearização.

As sanções já tinham sido colocadas antes, mas foram levantadas em 2015, no mandato de Barack Obama na Casa Branca, quando o governo do Iraque aceitou introduzir limitações ao seu programa nuclear.

Em maio, Donald Trump considerou esse acordo insuficiente e tem vindo a endurecer a sua posição contra o Irão, condenando o que designa como “atividades malignas” de Teerão.

Com esta nova fase de sanções, os Estados Unidos esperam que todos os países reduzam a zero a importação de petróleo do Irão, o que é um duro golpe numa economia que tem no setor energético uma base fundamental.

Donald Trump anunciou, em novembro, que qualquer país que continue a fazer negócio com o Irão ficará bloqueado de acesso ao sistema bancário e financeiro dos Estados Unidos.

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