15 perspetivas de 15 empresas para 2015: O Presidente da Beta-i, Pedro Rocha Vieira

Como foi 2014? O que será 2015? O Dinheiro Vivo convida 15 gestores de empresas a atuar em Portugal, de áreas tão diferentes como a saúde, a segurança, combustíveis ou os seguros para escreverem sobre o que foi 2014 mas sobretudo para perspetivarem 2015. Hoje a crónica é de Pedro Rocha Vieira, Presidente da Beta-i

Quando a Beta-i nasceu em 2010, o panorama do empreendedorismo em Portugal já estava a mudar, mas, desde então, evoluiu significativamente. A burocracia está simplificada, há mais instituições de apoio e fundos disponíveis e Portugal passou a constar da rota do empreendedorismo internacional, contando com um acelerador de startups de referência europeia, o Lisbon Challenge.

A nível internacional, o fenómeno do empreendedorismo em Portugal não tem passado despercebido e Lisboa foi considerada Região da Inovação da Comissão Europeia 2015, como reconhecimento de um programa compreensivo de iniciativas, das quais faz parte o Lisbon Challenge, com duas edições anuais.

A crise também acabou por ter algum efeito benéfico ao obrigar os empresários a mudar de estilos de gestão para sobreviver. As empresas que ficaram tiveram que se focar na internacionalização, inovação e competitividade e algumas, de forma a conseguirem melhorar a sua capacidade de inovação, aliaram-se a startups. Assim, neste momento, empresas como a CGD, CTT, EDP, PT, Accenture, Outsystems, Teleperformance estão a criar estratégias de inovação aberta com startups, muitas vezes facilitadas por organização como a Beta-i, o que justificou a criação da Beta-innovation,

Também o estado tem procurado uma nova atitude, tanto a nível Camarário, como a nível Governamental, como tem sido exemplo a nova estratégia do Turismo de Portugal, do IEFP, do AICEP, e da Câmara de Lisboa, procurando novas dinâmicas de crescimento sustentadas no empreendedorismo, e em particular no de base tecnológica.

Dentro deste cenário, o ano de 2015 promete ser auspicioso para quem quer lançar o seu próprio negócio, mas também para a promoção do crescimento e inovação da economia nacional. Por um lado, saliento a existência de mais fundos europeus disponíveis, alguns ao abrigo do programa Horizonte 2020, da Startup Europe ou do Portugal 2020. Por outro lado, há mais e novos business angels e novos investidores de Capital de Risco, tanto públicos como Caixa Capital e a Portugal Ventures, como privados, como a Faber e a Smart Equity.

A Beta-i, com o Lisbon Challenge e o Lisbon Investment Summit, tem tido um papel importante na projeção de país e na atração de investidores e startups internacionais. Cada vez mais, estes decidem montar operações em Lisboa, porque vêm que têm condições muito favoráveis e talento. Na Beta-i, temos vários exemplos de startups portuguesas que conseguiram atrair investimentos internacionais, como a Hole19 que recebeu investimento do SeedCamp de Londres; a Pharmassistant da Bayern e a Uniplaces que recebeu investimento de um privado inglês, Alex Chesterman.

Mas é ao nível do investimento e coinvestimento transnacional que 2015 poderá ser um ano de referência, com novos fundos e aceleradores europeus e internacionais, como o SeedCamp, DNCapital, Connect Ventures ou PointNine Capital, e startups nacionais como a Unbabel, a Uniplaces, a Orankl, ou a Codacy – todas elas com alguma ligação à Beta-i – a serem capazes de levantar rondas significativas de investimento nacional. O movimento inverso também é verdade, como é o caso dos investimentos da Caixa Capital no SeedCamp ou alguns projetos da Portugal Ventures e da Faber. É esta capacidade de angariar investimento e co-investimento internacional que vão permitir dar-se o salto.

Também o crowdfunding parece ter chegado para ficar, com novos recordes de angariação de investimento a serem batidos em 2014, em plataformas como o Kickstarter, e com uma grande sofisticação de soluções de plataformas como a Seedrs.

Em termos de grandes tendências tecnológicas e de negócio, vemos um grande apetite por investidores e grandes grupos, por novos projetos em áreas como Internet of Things; wearables, realidade virtual, social, big data, Inteligência Virtual e Machine Learning, fintech, consumo de conveniência e sharing economy, drone e 3D, privacy and security, personalized healthcare, ou retalho. Em Portugal, sectores como o Turismo; Saúde; Energia e Retalho têm tido um desenvolvimento interessante.

O ano de 2015, poderá ser finalmente o ano do Startup Portugal e da maturidade e consolidação dos vários ecossistemas nacionais, como a Beta-i, Startup Lisboa, Startup Braga, UPTEC, UBI, e IPN.

Para a Beta-i este também será um ano de grande dinamismo, com um novo espaço de inovação e empreendedorismo; uma nova marca e a reestruturação da comunicação e um novo espaço para startups do Lisbon Challenge em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa. Será também o ano dos projetos europeus e da Startup Europe, e da afirmação da Beta-innovation como uma referência na facilitação de inovação e no desenvolvimento de aceleradores verticais e customizados para grandes empresas, regiões e na ligação com a investigação e as universidades, também elas cada vez mais despertas para a inovação.

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