empreendedorismo

360imprimir. Revolucionários da indústria gráfica

Pegaram num negócio âncora, investiram na simplificação do processo industrial com software e tornaram-no numa empresa com um milhão de euros de faturação no primeiro ano. Leu bem, fazem impressões. Demasiado simples? Impressão sua

A máxima dos Três Mosqueteiros, “um por todos e todos por um”, pode bem ter mudado a maneira como a indústria gráfica se adequa às necessidades do mercado. Os seis fundadores da 360imprimir, Diogo Silva, João Matias, Jorge Correia, José Salgado, Pedro Gaspar e Sérgio Vieira parecem ter pegado no lema dos Mosqueteiros para repensar a estrutura de produção gráfica industrial: em vez de investirem em tecnologia de ponta, pensaram numa maneira de rentabilizar a capacidade de produção instalada e propuseram às gráficas da zona de Lisboa uma nova forma de organizarem as respetivas estruturas de produção.

Desenvolveram um software que permite organizar impressões de vários clientes numa mesma folha impressa, otimizando a produção e diminuindo em cerca de 80% os custos: mil cartões-de-visita impressos pela 360imprimir custam 17,30euro. Antes, 250 custariam ao cliente cerca de 100 euros, cerca de 0,40euro/cartão, avalia Sérgio Vieira, cofundador da empresa. Além disso, garantem oito horas de trabalho às duas ou três fábricas com quem mais trabalham. “Percebemos que a indústria gráfica estava muito focada na produção e não nas necessidades reais do cliente”, explica Sérgio, formado em Gestão e cofundador da 360imprimir.

O primeiro ponto importante depois da descoberta foi consolidar a existência dessa oportunidade no mercado, processo que demorou meses, sobretudo porque os fundadores ainda trabalhavam a tempo inteiro noutros locais. “Os produtos de impressão são âncora porque, tanto em negócios mais evoluídos como nos tradicionais, como no caso de start-ups, são produtos transversais a todas as empresas.” Depois, seguiu-se o contacto com gente que pudesse saber mais sobre a indústria. “Foi nessa altura que percebemos que a nossa inovação a nível de processos podia ser uma real mais-valia”, sublinha. Perante o ceticismo das gráficas – bateram às portas de todas as fábricas da Grande Lisboa -, a equipa decidiu diminuir o risco dos parceiros: durante os primeiros meses, pagavam antecipadamente à indústria pela impressão de cem cartões por folha, todos diferentes e posicioná-los automaticamente segundo um algoritmo que permita uma melhor distribuição e qualidade na impressão e, ao mesmo tempo, maior rentabilidade. “Conseguimos diluir todos os custos de set-up e dar um produto de alta qualidade a um cliente, a um preço muito inferior ao da generalidade do mercado. Isto era algo que a indústria não acreditava ser possível”, explica Sérgio. Agora, a 360imprimir assegura turnos de oito horas de produção. “Aconteça o que acontecer colocamos x entradas de máquina por dia. Durante aquele turno a indústria tem 100% de eficiência.”

Criada para trabalhar todo o mercado ibérico – onde brevemente chegarão aos 20 mil clientes -, a 360imprimir prepara-se para, juntamente com um parceiro de investimento, arrancar com a expansão para o Brasil ainda este ano. O investimento de cerca de 750 mil euros, preveem os sócios, poderá fazer que a faturação da empresa – que já está no milhão de euros – seja quadruplicada. A estratégia deverá passar por um plano semelhante ao que implementaram no mercado nacional: a empresa não envia amostras mas permite a impressão gratuita de 250 cartões-de-visita (o cliente paga apenas a entrega mas os cartões incluem o logótipo da 360imprimir no verso), tem design de formatos gratuito e disponível para os clientes e cada vez mais altos critérios de qualidade. O mercado mudou e são as gráficas que agora procuram fazer negócio com a 360imprimir.

“Para os clientes, fazemos tudo; na prática, a empresa assegura o processo da comercialização à pré-impressão. Efetivamente existem bons parceiros de produção que sabem fazer isto bem: não sabem é fazer o resto”. O futuro passa por tornar a plataforma uma one stop shop, que inclui serviços complementares como anúncios em jornais, distribuição de panfletos e outras parcerias, como se de um departamento de marketing interno se tratasse.

B.I.

° Ideia de negócio surgiu em 2011. ° Foi criado por seis sócios com um investimento de 10 mil euros, em capitais próprios. ° Como contratam um turno diário de produção, o risco para os parceiros industriais é nulo.

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