Riqueza

8% da riqueza mundial está em paraísos fiscais

Pelo menos 7,6 biliões de dólares (6,2 biliões de euros), o equivalente a 8% da riqueza mundial, estavam, no final do ano passado, em contas particulares em paraísos fiscais, como Suíça, Luxemburgo ou Singapura. É o mesmo que dizer que mais do dobro do produto interno bruto da Alemanha, ou 36 vezes o PIB português, está guardado em países que cobram poucos ou nenhuns impostos sobre investimentos estrangeiros.

A conclusão é de um professor da London School of Economics, Gabriel Zucman, e consta de um estudo publicado no Journal of Economic Perspectives. Mas, na verdade, os valores serão bem mais elevados do que aqueles que o autor aponta. É que, como o próprio Zucman nota, o seu estudo apenas leva em consideração os ativos financeiros, deixando de fora os bens mobiliários ou imobiliários que também estarão nestes paraísos fiscais. E, para já, não há forma de avaliar o valor destes ativos.

Por isso, alguns estudos apontam para números mais elevados. A consultora Boston Consulting Grupo, por exemplo, estima que 7,3 biliões de euros estejam em paraísos fiscais.

Resultado: os estados soberanos perdem, anualmente, quase 156 mil milhões de euros – mais, se se considerarem os ativos reais – em receitas fiscais.

A maioria destes 6,2 biliões de euros é detida por europeus, cujas contas em paraísos fiscais totalizaram 2,1 biliões de euros em 2013, o equivalente a 10% da riqueza financeira da Europa. Seguem-se os asiáticos, com pouco mais de 1 bilião de euros, e os norte-americanos, com quase 985 mil milhões.

A fuga para os paraísos fiscais continua a crescer. Na Suíça, por exemplo, os investimentos estrangeiros estão perto de atingir o valor mais elevado de sempre, tendo aumentado 4,6% desde 1998, ano em que o banco central suíço começou a publicar estes dados.

É a prova de que os esforços de maior escrutínio não têm surtido grande efeito. Em abril de 2009, os líderes do G20 declararam “o fim do sigilo bancário”. Desde então, o investimento estrangeiro na Suíça aumentou 15%. No Luxemburgo, entre 2008 e 2012, o aumento foi de 20%. A evolução é ainda mais acentuada nos centros asiáticos emergentes, como Singapura e Hong Kong, onde o aumento foi de 28% entre 2008 e 2013.

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