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A Pipoca Mais Doce: “Sinto que me vou metendo em mais coisas do que aquelas que consigo fazer”

Dez anos depois de ter começado a escrever o blog "A Pipoca mais doce", Ana Garcia Martins pensa mais no que escreve mas, nem por isso faz mais planos.Ontem lançou o quarto livro, "O problema não és tu, sou eu" - o segundo na editora Matéria Prima -, que é uma espécie de regresso ao tema-génese do blog: relações.

Diz que lhe falta mais método, organização e ambição. As visitas foram crescendo ao longo da última década, assim como a ideia de que as cerca de 40 mil visitas diárias, de acordo com o Sitemeter, ajudaram a blogger Ana Garcia Martins a organizar um plano digno do seu negócio. No entanto, Ana diz que, apesar de se ter tornado mais profissional na seleção dos conteúdos, muito falta para ser mais ambiciosa e organizada quanto ao método.

“A partir do momento em que o blog se torna a minha profissão a tempo inteiro e
sou eu a trabalhar exclusivamente para ele, é óbvio que não posso
fazê-lo de maneira tão amadora como há cinco anos, em que o conjugava
com a minha profissão de jornalista. Houve aquele momento em que eu
percebi que o blog me ocupava cada vez mais tempo e me dava cada vez
mais trabalho do que a minha própria profissão, com um retorno maior.”, esclarece, em entrevista ao Dinheiro Vivo depois do lançamento do novo livro, decorrente das histórias e experiências amorosas que tanto povoavam o “A Pipoca mais doce” nos primeiros anos.

Nos últimos anos, Ana decidiu abandonar o jornalismo e dedicar-se ao blog a 100%. Entregou a carteira de jornalista, começou a escrever mais sobre marcas, a fechar mais parcerias, a pensar mais no blog enquanto negócio. “Foi uma escolha que tive que
fazer mas que me pareceu a mais acertada. E não me arrependo: acho que
fiz a aposta certa, num projeto meu, que eu criei de raiz e do qual não
fazia ideia do que iria dar. Mas esta profissionalização do
blog obriga-me a pensar muito mais nos conteúdos, na forma de os
apresentar e a ter uma imagem mais cuidada no blog. Com este
número de seguidores já me é imputada uma responsabilidade social e já
não posso dizer tudo o que me vem à cabeça – que há dez anos dizia, sem
qualquer tipo de filtro – e agora penso 30 vezes”, explica.

De cada palavra, confessa, já consegue “antecipar o que poderá vir a dar polémica, controvérsia, o que
poderá chatear as pessoas.” “E isso tira obviamente muita da
espontaneidade do blog. Mas é o reverso da medalha e o preço a pagar por
ter tanta gente. E percebo isso. Tento que não se perca completamente
quem eu sou.”

Daí que o novo livro, “O problema não és tu, sou eu”, seja uma espécie de regresso aos primeiros dias de blog: uma grande parte dos posts que Ana Garcia Martins publicava falavam de relações, de encontrar a pessoa certa. Ana recuperou muitas das histórias – suas e de amigas – e publica-as, adequando-as a algumas das grandes perguntas da série “O Sexo e a Cidade”, uma das suas favoritas.

Sobre os negócios que derivaram no blog – a marca “A Pipoca mais doce” conta com linhas de jóias, vernizes, agendas, livros, vestidos, entre outras -, Ana confessa que não faz grandes planos. “Sinto que me vou metendo em mais coisas do que aquelas que consigo fazer, digo que sim a tudo, acho todos os desafios giros e, de repente paro e tenho 25 coisas entre mãos e penso: ‘Oh meu Deus, fui-me meter em mais uma'”. Talvez pelo facto de o aumento de visitas ter sido inesperado – ou melhor, pouco planeado -, Ana não faz planos. Ou, melhor: não os revela. “Não faço ideia. Não tenho planos para daqui a 10 anos. Costumo dizer que as oportunidades vão aparecendo e eu faço uma triagem daquilo que me interessa mas nunca é nada muito planeado, acho que me falta um lado ambicioso que nunca tive e que, se calhar, devia trabalhar um bocadinho.”

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