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A Portuguese Love Affair: Vender Portugal em Londres

O negócio de Dina Martins e Olga Cruchinho não nasceu só das
saudades que as duas portuguesas têm de Portugal, mas há bocadinhos
do país em cada recanto dos 28 metros quadrados da A Portuguese Love
Affair
, inaugurada na capital inglesa a 10 de agosto.

Dina, 37 anos,
formada em Artes Gráficas, e Olga, 38, formada em jornalismo,
escolheram “marcas emblemáticas e incontornáveis” como a
Bordallo Pinheiro ou a Claus Porto e compuseram o bouquet português
com outros produtos como os cadernos da Beija-flor, as agendas e
lápis da Fine & Candy, os livros Serrote, os laços Mario
Bow-Ties, as camisas Daniela., os vinagres Creative e as conservas
açorianas Sta. Catarina ou Maria Organic, entre muitos outros. Um
pacote que conta com 27 fornecedores portugueses e que vai continuar
a ser construído a pouco e pouco. “Não queremos transformar a
loja numa confusão mas achamos que é uma boa forma de dar a
conhecer Portugal e mudar a imagem que os portugueses têm de si
próprios”, esclarece Olga, “jornalista não praticante”.

Olga Cruchinho estudou jornalismo mas nunca seguiu a carreira. Deu
aulas no secundário, foi relações públicas do instituto onde
estudou, em Portalegre, e embarcou na aventura do Grémio Lisbonense,
“em 1997, talvez”. Foi essa a primeira experiência de trabalho
com Dina Martins, 37 anos, artista gráfica. Depois, Dina trabalhou
em Londres e, antes de fazer 30 anos, decidiu viajar pelo mundo
durante um ano. Em 2008, no regresso a Lisboa, a ideia apareceu
naturalmente. “Londres, de tão grande e movimentada que é, acaba
por afastar do rumo. É uma cidade cara onde não se pode ficar à
espera de um dream job.” Decidiu voltar. Olga foi com ela.
“Sabíamos que íamos começar do zero mas não importava”,
recorda Olga, que mal chegou à capital inglesa arranjou trabalho a
fazer trufas de chocolate. “As melhores que comi na vida”,
brinca. Dina voltou para o trabalho em pesquisas de mercado, num
centro de telemarketing. “Fala–se muito, é muito stressante, mas
é relativamente bem pago. Sei que em algum momento vou voltar a
Portugal. Mas Londres tem uma oferta, enquanto cidade, que me agrada
muito.”

Há dois anos, em conversa com o senhorio da casa – enorme e com
uma sala de entrada muito grande e desaproveitada – lembraram-se que
podiam abrir aí uma espécie de mercado português. Começaram a
fazer contactos – no Natal, Dina esteve em Portugal e já tinha
várias marcas escolhidas – mas, à última hora, antes das primeiras
encomendas, o senhorio voltou atrás e tiveram de abandonar a casa e
a ideia da loja pop up na sala. Mas pareceu-lhes um desperdício
deitar tudo fora. “Gostamos de fazer coisas e de ser portuguesas.
Está na hora de acreditarmos mais em nós, no que somos e no que
somos capazes de fazer.”

Ainda pensaram num franchising mas era “demasiado redutor”
porque conforme iam conhecendo marcas havia outras que, sabendo da
presença delas em Londres, as desafiavam a importar os produtos.
“Começámos a ficar inquietas e a vontade voltou”, conta Dina.
Desafiaram então um amigo bailarino e cenógrafo a tratar do
projeto: marcaram e pagaram a viagem a Londres, ofereceram-lhe casa e
comida e dois dias depois Pedro Cal estava na capital inglesa a
desenhar móveis e a pintar caixas para servirem de prateleiras, “tal
e qual como numa residência artística”. Dina e Olga foram
ajudando e apontaram a inauguração para 13 de junho, dia de Sto.
António. Com dinheiro que tinham poupado, arrendaram o n.o 142 de
Columbia Street, zona Este de Londres – onde todos os domingos
milhares de pessoas visitam o mercado das flores. “Nesses dias é
assustador. Não temos mãos a medir com a quantidade de clientes”,
confessam.

Dina e Olga continuam a trabalhar a tempo inteiro nas empresas
onde já estavam mas acreditam que, em breve, a decisão de optarem
pelo negócio próprio vai acontecer, sobretudo para alargar o
horário e fazer crescer as vendas. Agora, abrem quintas e sextas,
das 17h30 às 19h, e aos sábados e domingos o dia inteiro. Há ainda
a loja online.

www.facebook.com/A.Portuguese.Love.Affair

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