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Bgentleman. Andar em mangas de camisa feitas ao pormenor

Pode a escolha de uma camisa ser uma experiência única? David Santos, 31 anos, acredita que sim. Para isso, criou em 2014 a <a href="http://www.bgentleman.com/">Bgentleman</a>, uma empresa dedicada à produção e venda de<b> camisas de homem</b>, feitas por medida e pensadas ao pormenor, de Portugal para o mundo inteiro. Mas isto é só o princípio.

O projeto pensado por David Santos e pelo sócio, Rui Cabral – a viver em São Paulo -, pretende ser mais do que uma marca de camisas de homem feitas: a Bgentleman foi criada para ser uma marca de lifestyle que promove experiências e os dois modelos de camisas, que podem ser encomendadas online e customizadas com diferentes punhos e colarinhos, tecidos, cores e até as iniciais dos respetivos donos, são só o começo da história. “Sabemos que, se alguém coloca o nome e escolhe o tecido de uma camisa é uma pessoa que quer sentir-se especial. E queremos tornar a experiência única e personalizada”, conta o empresário ao Dinheiro Vivo.

David criou uma marca que quer transformar numa comunidade: além das camisas feitas por medida, como se de um serviço de alfaiate se tratasse, quer desenvolver uma rede de serviços relacionados com o negócio, que passam por uma publicação masculina – uma espécie de revista com uma rede social de estilo e moda integrada e com a possibilidade de comprar os produtos online -, e uma rede de consultores de imagem para aconselharem os clientes a tomarem uma decisão. “Queremos que as pessoas vivam neste universo de content base social marketplace. Os clientes podem marcar um encontro com os nossos consultores e as camisas serão entregues em casa deles”, explica o economista, prestes a mudar de casa para a Startup Lisboa.

Em outubro, a Bgentleman foi o projeto vencedor do SAGE Elevator Pitch, um prémio de empreendedorismo que inclui um período na incubadora lisboeta, onde empresas como a Uniplaces e a Zaask deram os primeiros passos.

David Santos trabalhou em consultoria na Deloitte e na KPMG e foi durante esse período que percebeu as dificuldades que tinha em encontrar camisas de que gostasse. “Tínhamos um amigo que mandava fazer a um alfaiate, em Madrid. De cada vez que voltava, levava uma enorme lista de encomendas”, recorda. A necessidade de investir numa imagem executiva sem boas alternativas, levou-o a querer produzir as suas próprias camisas. “A maior parte das pessoas compram uma ou duas marcas que lhes fiquem bem mas a oferta que existe é pouco acessível e muito cara, de segmento alto”, detalha David.

Daí a chegar a um preço médio de 130 euros por camisa com essas características foi rápido. E, mais rápido ainda, perceber que as camisas que a Bgentleman venderia teriam de ter um preço mais competitivo do que os concorrentes norte–americanos e britânicos. “O conceito não é inovador mas detetámos uma oportunidade. O que procurámos fazer foi criar uma experiência de acompanhamento forte. Existem no mercado camisas de boa qualidade a preços muito altos. Temos dois estilos de confeção, um mais normal e outro mais complexo, com outro cuidado de acabamentos, com preços de entrada 69 e 89 euros. Posiciona-nos um pouco a meio termo: uma qualidade muito alta a um preço mais acessível do que os americanos ou os ingleses e com um tempo de entrega máximo de três semanas.”

Mas no caminho, a Bgentleman encontrou dificuldades, sobretudo para produzir em Portugal. “Andámos muito tempo à procura dos fornecedores certos, dentro dos pressupostos que tínhamos. O tecido empresarial português não está aberto a novos empresários e a novos projetos. E numa altura em que estamos a fazer um esforço para divulgar e fazer crescer o empreendedorismo, o sector tradicional não abre portas para essa realidade: estamos muito tempo à espera e as respostas demoram demasiado. Por outro lado até é bom, obriga-nos a estudar o mercado, a sermos mais proativos, e isso faz que pensemos em alternativas.”

Com um investimento de 15 mil euros em capitais próprios, David explica o potencial que a área onde têm desenvolvido a Bgentleman tem: “Ninguém olha a sério para o homem como consumidor – erradamente, com a visão de que as mulheres gostam mais de fazer compras do que os homens e com o agravante do comodismo masculino. Os homens compram tendencialmente produtos mais caros e fidelizam–se”, analisa. Além de olhar para uma área pouco explorada, David quer apostar no percurso que fez até aqui e no que percebeu com a experiência. “Uma coisa que aprendemos e que costumamos dizer é que o serviço ao cliente é a base do sucesso de qualquer negócio. Se formos rápidos e tratarmos bem as pessoas, é quase certo que teremos sucesso”.

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