Energia

Boa Energia: Alternativa a aplicações bancárias

Experimentaram fazer eletricidade em casa e resultou. Agora prometem cortar também na sua conta da luz

Foi a transformar sol em energia em casa que os sócios da Boa Energia conseguiram criar o negócio. Tinham dinheiro poupado para investir e, com 20 mil euros, valor dividido entre os quatro, começaram a testar opções e a construir o primeiro kit doméstico de energia fotovoltaica. “Quisemos criar uma empresa em alternativa a uma aplicação bancária. Tínhamos poupanças e queríamos aplicá-las”, recorda Nuno Brito Jorge, cofundador da Boa Energia, criada em junho de 2012.

Escolheram Tavira, a cidade com mais horas de sol em Portugal, para fazerem o teste, e criaram a primeira central fotovoltaica da Boa Energia num turismo rural algarvio que estava interessado no negócio. A experiência não só foi bem-sucedida mas também fez crescer a vontade de criar um negócio próprio. Mas, para continuarem a criar e a vender kits, precisavam de mais investimento. Criaram uma ronda de financiamento à imagem deles. “Propusemos a familiares, amigos e conhecidos que investissem na nossa empresa. Aos que deram até 2000euro, oferecemos juros de 3,5%. Aos que deram mais do que esse valor, juros de 4,5%. Se produzíssemos a mais, ofereceríamos juros com bonificação. E quando produzíssemos a menos, assumíamos nós o prejuízo”, recorda Nuno Brito Jorge que, com Miguel Aroso e Ricardo Iglesias, começaram à procura de novos locais onde pudessem implementar o sistema de produção energética. “Nesse momento, percebemos que a nossa ideia podia ser bem-sucedida enquanto negócio”, sublinha Nuno. Convenceram. Arrancaram com o mesmo sistema em dois novos locais – o primeiro, uma instituição de solidariedade social; o segundo, uma creche em Lisboa. Em ambos os casos, começaram a produzir quantidade suficiente para assegurar as necessidades de consumo interno.

Através dos kits que vendem online, é possível os donos construírem os seus próprios sistemas “faça você mesmo”: basta ligar o seu painel fotovoltaico diretamente em qualquer tomada da sua casa, empresa ou local de trabalho. Em contrapartida, se o negócio for o foco da sua compra, a Boa Energia tem também a opção de produzir, armazenar e vender a sua própria eletricidade. “Criámos um novo serviço para o qual, na prática, não há limite. Quantos mais kits, mais eletricidade produzida.”

Depois de começar a vender kits à medida de cada cliente, a Boa Energia quis desenvolver um produto que fosse uma solução mais económica para sistemas com maiores necessidades energéticas, ou seja, aumentar a escala do negócio. Os sócios começaram a desenvolver soluções na área da consultoria energética, de maneira a poderem aconselhar a substituição ou compra de mecanismos que ajudem as empresas a conseguir reduzir a fatura energética. “O lado ambiental é um plus, mas aquilo que as pessoas querem mesmo saber é quanto poupam quando seguem os nossos conselhos. O que mais convence os clientes é a recuperação do investimento, querem saber quanto poupam mensalmente”, esclarece Nuno ao Dinheiro Vivo. E detalha: seguindo os conselhos dos especialistas, os clientes da Boa Energia podem ver as contas reduzidas até 60%.

Além dos kits para produção de eletricidade e da consultoria a privados e empresas, a Boa Energia dá apoio em matéria de eficiência energética de água e tem à venda, na loja online, soluções de produção energética, sistemas de energia solar portátil e mochilas solares. Todos estes produtos vão permitir à empresa, criada há pouco mais de dois anos, faturar este ano cerca de 350 mil euros.

“Acreditamos que é possível criar um novo paradigma social e energético: renovável, descentralizado, eficiente e de criação de valor para o planeta e para a sociedade”, explicam os sócios no site da empresa.

Entretanto, seguindo aquela que consideram a missão da empresa, nasceu a Coopérnico, a primeira cooperativa portuguesa de energias renováveis que alia à sua natureza social o apoio a projetos de solidariedade, educacionais ou de proteção ambiental.

A vontade de ir mais longe levou entretanto à criação da primeira plataforma para investimentos transnacionais em energias renováveis, Citizenergy, e à criação da Our Power, um projeto de representação e desenvolvimento de equipamento para utilização eficiente e descentralização de energia solar, ainda em fase inicial. A nova marca Citizenergy – que vai abarcar a vertente de crowdfunding – surgiu na sequência da necessidade de não o poderem fazer através da Boa Energia, por falta de enquadramento legal. “Queríamos investir num projeto de engenharia solar e percebemos que se se tratava de um problema de cá podia ser também um problema em toda a Europa”, conta Nuno. Para isso, puseram mãos à obra: “Estamos a criar uma plataforma transeuropeia de crowdfunding de energias renováveis. Os primeiros projetos estarão disponíveis para financiamento em janeiro de 2015 e terão uma vocação transnacional.” O objetivo, explica Nuno, é cumprir a frase use money for good [usa o dinheiro para o bem].

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
Ilustração: Vítor Higgs

Indústria têxtil em força na principal feira de Saúde na Alemanha

O Ministro das Finanças, João Leão. EPA/MANUEL DE ALMEIDA

Nova dívida da pandemia custa metade da média em 2019

spacex-lanca-com-sucesso-e-pela-primeira-vez-a-nave-crew-dragon-para-a-nasa

SpaceX lança 57 satélites para criar rede mundial de Internet de alta velocidade

Boa Energia: Alternativa a aplicações bancárias