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Brinquedos portugueses da Science4you vão chegar à Ásia e aos Estados Unidos

Empresa duplicou vendas em 2014 e já fatura dois milhões de euros lá fora. Produção totalmente feita em Portugal, e não na China, é uma das grandes mais-valias da marca, que este ano inventou 120 novos brinquedos, elevando para 350 o total de produtos

Esta semana, milhares de crianças espanholas e inglesas receberam brinquedos portugueses pelo Natal. Fábricas de sabonetes, puzzles, tablets, carros solares, câmaras, tudo desenhado e produzido em Portugal pela marca nacional Science4you. Só Espanha comprou este ano 1,1 milhões de euros de brinquedos portugueses e o Reino Unido já vai em 400 mil euros. Na próxima semana, quando fechar as contas, a Science4you irá somar 6,5 milhões de euros de faturação: o dobro do que conseguiu no ano passado e uma prova de que está pronta para o mercado mundial.

“A nossa principal vantagem competitiva, por incrível que pareça, é estarmos e produzirmos em Portugal”, diz ao Dinheiro Vivo o CEO da Science4you, Miguel Pina Martins. A empresa tem uma fábrica no Prior Velho que recebe e monta os componentes vindos de todos os lados do país – as caixas vêm de Águeda, os manuais do Seixal, as caixas de cartão de Torres Vedras, os moldes de plástico da Marinha Grande, o bicarbonato vem da Ajuda. Em três semanas, a empresa consegue ter uma encomenda pronta, ao contrário do que acontece com as fábricas na China – para onde a indústria dos brinquedos passou a maioria da produção nos últimos dez anos – que demoram cerca de seis meses.

“Depois, os ordenados na China já não têm nada que ver com os que existiam há cinco anos. Hoje, a China já não é assim tão lucrativa, mas a flexibilidade continua igual, senão pior.” Pina Martins antecipa que “a indústria, dentro de quatro ou cinco anos, vá passar outra vez para a Europa, porque deixa de valer a pena estar na China”. Os volumes também não são problema. Este ano, a empresa produziu cerca de 800 mil brinquedos, a maior parte ainda para o mercado interno, que subiu muito (só o espaço do Colombo aumentou as vendas em 50%). Para 2015, o objetivo é fazer mais de 50% da faturação lá fora, mantendo a produção dentro de portas.

“A grande aposta da companhia neste momento é a internacionalização”, sublinha o CEO. A empresa vai estar nas feiras de brinquedos de Hong Kong, Londres, Nuremberga, Birmingham e Barcelona. “Hong Kong e Nuremberga são para abrir outros mercados, nomeadamente no Oriente: esperamos conseguir mercados como o Japão, Singapura, Taiwan, Austrália, eventualmente China – que é um mercado mais difícil, é como levar areia para a praia.” A intenção é chegar aos 12 milhões de euros de faturação em 2015.

Depois, a Science4you vai atacar o maior mercado do mundo de brinquedos – os Estados Unidos. “Estamos à procura do distribuidor certo, ou então de abrirmos um escritório na altura certa”, conta o responsável. O projeto é entrar no mercado a partir de 2016. A marca já vendeu “cerca de 30 a 40 mil euros” de produto a um pequeno distribuidor norte-americano.

Para dar impulso à expansão, os criativos da Science4you inventaram mais 120 brinquedos este ano, elevando o total de produtos para 350. Algumas novidades são tecnológicas, como o tablet Tab4you e a câmara Cam4you, outras juntam os dois mundos, como os bonecos Micro Dinos, que se ligam ao tablet e ganham vida dentro da aplicação. Surgiram também brinquedos para meninas, como a criação de fábricas de champô e sabonetes, batons e SPA.

Tudo acontece em duas salas da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, parceira da empresa, onde uma equipa de 40 pessoas cria novos brinquedos. “O Lab4you é onde tudo se prepara e conta com designers, biólogos, químicos, programadores, desenhadores, animadores, modeladores, pessoas para as compras”, descreve.

Os quadros da empresa têm 170 colaboradores, com média de idades abaixo dos 30 anos, embora neste momento empregue mais de 400 pessoas, devido ao Natal.

Uma das coisas que tornam estes brinquedos atrativos é o preço, oito euros em média. O Tab4you é o mais caro, 99 euros, mas a maior parte ronda os 10 a 20 euros. “Tentamos democratizar o brinquedo educativo, que antes era sempre mais caro”, diz o responsável. “Como fazemos a produção e vendemos diretamente, eliminamos os intermediários que estavam aqui no meio a ganhar dinheiro.” O CEO frisa que “tirando a Lego, a Science4you é a marca que mais vende brinquedos em Portugal.” É uma mudança de mentalidade. “As pessoas procuram este produto porque sabem que as crianças gostam e estão a aprender.” Além disso, refere, “tem a capacidade de juntar a família à volta de uma caixa”, o que não acontece com outros brinquedos. Talvez seja por isso que a marca conseguiu algo que há cinco anos era impensável: “Vendem-se mais brinquedos educativos Science4you do que se vendem Barbies.”

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