Indústria

Cascais a postos para ser a “Frankfurt dos negócios mar”

É um mercado com potencial para valer mais de 3 mil milhões de euros já no próximo ano. Na biotecnologia marinha incluem-se negócios que vão desde o aproveitamento de espinhas para protetores solares às micro-algas para a indústria alimentar. Portugal, com um território marítimo superior a 1,7 milhões de quilómetros quadrados e uma longa tradição de conhecimento nesta área, tem todas as condições para se assumir como líder no sector. Mas está a aproveitar a oportunidade? Para Miguel Pinto Luz, vice-presidente da Câmara de Cascais e empenhado, desde o início do mandato, em dinamizar este sector, há uma resposta clara: não.

Se o turismo é visto como “um desígnio nacional”, o mesmo não acontece no mar. “Tem havido um desinvestimento em relação ao mar. A nossa frota pesqueira foi praticamente desmantelada, temos desbaratado todo esse potencial. Veja-se a base das Lajes. Ela própria é um símbolo do mar estratégico, no centro do Atlântico, que os EUA também utilizavam. Hoje, até os EUA estão a desinvestir na base das Lajes. É paradigmático do desinvestimento, nosso e exterior, no nosso mar e nas nossas águas”, diz Miguel Pinto Luz, em entrevista ao Dinheiro Vivo.

Nada que não tenha solução. Com os recursos e o conhecimento que temos, considera o vice-presidente de Cascais, podemos construir economia, riqueza e emprego. É neste âmbito que surge a BioMarine International Business Convention, cuja 5.ª edição decorre hoje e amanhã, no Centro de Congressos do Estoril, e reúne CEO e executivos de mais de 30 países para debater a “economia azul”.

Será um encontro dedicado ao sector das indústrias dos bio recursos marinhos, juntando empresas de alimentação e nutrição, saúde e farmacêutica, cosmética, ambiente e tecnologias limpas. Ao todo, serão 300 os líderes destas empresas a marcarem presença no evento, uma pequena parte do mercado que, todos os anos, gera um volume de negócios de 133 mil milhões de euros e que, estima-se, virá a crescer 5% a 10% nos próximos anos. Mais do que debater, esta é uma conferência onde se fecham negócios. Nas quatro convenções já realizadas, os negócios resultantes do contacto entre empresas atingiram os 76 milhões de euros.

Para o país, acredita Miguel Pinto Luz, o impacto pode ser enorme: o evento será transmitido em live streaming e poderá chegar a 250 mil pessoas. É a oportunidade que o Governo tem de passar ao resto do mundo as mensagens que tem a passar.

Cascais não foi escolhido ao acaso. É que o objetivo da Câmara é tornar o concelho na plataforma europeia de negócios internacionais ligados ao mar. E Miguel Pinto Luz garante que já não estão longe do objetivo. “O nosso negócio é saber receber bem. É muito difícil para um concelho como Cascais albergar grandes indústrias ligadas à biomarinha ou ao pescado”, mas “se não podemos ser o centro nevrálgico onde a economia se vai processar, podemos ser o local onde se fecham negócios, e é aí que nos temos vindo a posicionar”, diz o vice-presidente de Cascais. A meta é essa: receber conferências onde se fecham negócios e ser “o Frankfurt dos negócios do mar”.

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