China e Angola investem mais em Portugal, mas UE ainda domina

As notícias que dão conta de um maior interesse por parte dos chineses e angolanos em empresas portuguesas são cada vez mais frequentes. E, na altura, de se fazerem as contas à proveniência do Investimento Direto Estrangeiro (IDE) em Portugal, este interesse confirma-se: face a 2009, o Brasil foi destronado do Top 10 dos países que mais investem em Portugal por Angola e China, revela um estudo da escola de negócios, AESE.

Do lado chinês, o interesse já se sente desde 2012, altura em
que o Estado começou a alienar as suas posições na EDP e REN, que foi acompanhado

de um forte apoio por parte de entidades financeiras chinesas. Mas também entram aqui a compra do negócio dos seguros da Caixa Geral de Depósitos pela Fosun ou a instalação do Bank of China, do ICBC e da Huawei em Portugal.

O
efeito destes investimentos, demonstra o estudo, levou o valor do IDE
bruto nesta área “a aumentar de 1,6% para 7,7% do total de IDE
bruto em Portugal”.

“Os investidores chineses parecem ver o território nacional, como uma espécie de “porta de entrada”, não tanto para o mercado europeu, mas sobretu¬do para os países de língua portuguesa (Brasil e PALOPs), em detrimento de ser um destino final de investimento”, referem os especialistas.

Já o interesse angolano, mostra a AESE, esta tendência “começou
a notar-se há uma década, onde o montante de IDE angolano cresceu
35 vezes nos últimos 10 anos, passando de valores na ordem dos 2,2
milhões de euros em 2001, para valores na ordem das várias dezenas
de milhões em euros a partir de 2011”. Os investidores angolanos
têm apostado em setores estratégicos da economia, como a banca, a
energia, as telecomunicações e ainda os meios de comunicação
social, que têm sido disputados por vários empresários angolanos.

Ainda assim, a União Europeia tem-se mantido como o maior
investidor em Portugal ao longo dos últimos anos, mantendo taxas
próximas dos 90% em face do total investido em Portugal. Espanha,
França e Reino Unido têm sido os principais investidores e,
totalizam mais de 50% do investimento total realizado.

Mas a crise económica também está a pesar na capacidade destes
países investirem. Espanha, “que cedo assumiu um lugar de
liderança no IDE em Portugal” tem demonstrado alguma estagnação
e a Alemanha, que desde 1996 apostava significativamente na União
Europeia, tem vindo a reduzir o peso dos seus investimentos na região
e “vem reduzindo substancialmente o seu peso específico no que
respeita a Portugal”, apesar de ainda ser o quarto país que mais
investe em solo nacional, pelo peso dos negócios que ainda suporta,
como a Volkswagen Autoeuropa.

Com estas diminuições tem, pelo contrário, crescido a
importância de países como Holanda, Itália, Bélgica e Luxemburgo,
que em pequenos negócios começam a olhar mais para Portugal.

Desde 2005, o IDE bruto em Portugal
evidenciou um comportamento positivo, com cerca de 30 mil milhões de
euros por ano, mas também se assistiu a um aumento do
desinvestimento, revela a AESE. Em 2013, o IDE em termos brutos,
atingiu um total de 30,1 mil milhões de euros (-36,8% face a 2012),
enquanto o stock de IDE registado até ao final do ano fora de 93,2
mil milhões de euros (+2,6% face a 2012).

Quanto às áreas mais atrativas, o
setor do comércio por grosso e a retalho e reparação de veículos
automóveis e motociclos é o que apresenta maiores níveis de IDE
(com a exceção do 1º Semestre de 2014), logo seguido pelo setor de
financeiro e de seguros e ainda a Indústria Transformadora, que
aparece em terceiro lugar.

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