Dois mil engenheiros abandonaram Portugal nos últimos três anos

Nos últimos três anos, e até ao final do primeiro semestre deste ano, 436 engenheiros rumaram ao Brasil, 333 foram para Moçambique, 311 instalaram-se em Angola e 137 fixaram-se no Reino Unido, de acordo com dados cedidos pela Ordem dos Engenheiros.

Embora a maioria destes profissionais esteja no Brasil, há um abrandamento dos números de engenheiros deslocados para aquele país desde o ano passado. Em contrapartida, há um aumento rápido de saídas para Angola e Moçambique, à medida que também mais empresas portuguesas vão conquistando obras nesses países.

As saídas não são preocupantes quando se inserem numa lógica de internacionalização, mas o mesmo já não se pode dizer quando se trata de emigração, na perspetiva de Fernando Almeida Santos, presidente da Ordem dos Engenheiros na Região Norte.

“A internacionalização é o que tem sucedido com os engenheiros mais experientes, que rumam geralmente a África ou ao Brasil, geralmente de áreas como a construção civil, ligadas às energias ou ao petróleo, que assumem obras importantes, levam consigo tecnologia e know-how que adquiriram cá e, depois, regressam”, explicou o responsável.

Já no que respeita aos engenheiros emigrantes, o cenário é “pior porque corresponde à perda de cérebros, de jovens recém-licenciados, em áreas ligadas às novas tecnologias e Informática, que rumam ao Norte da Europa”.

Este ano, sabe-se que apenas 60 candidatos ao Ensino Superior escolheram Engenharia Civil como primeira opção, sinal da “perda de prestígio das engenharias, do excesso de engenheiros formados nos últimos anos e das dificuldades de emprego”, na perspetiva de Almeida Santos. “Se formarmos apenas esses engenheiros nos próximos anos, em breve seremos nós a ter de importar engenheiros, muito possivelmente do Brasil”, adiantou, ainda.

Longe dos tempos em que 600 a mil engenheiros civis saíam das universidades em cada ano, hoje muitos encontram trabalho na reconstrução de Angola, onde escolas, hospitais, estradas e barragens estão em construção acelerada, muitas vezes por parte de empresas portuguesas.

A pensar na mobilidade dos engenheiros, a Ordem tem protocolos de reconhecimento do título de engenheiro português com os membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, EUA, Reino Unido, Espanha, Peru, Colômbia, Venezuela e México. “O Brasil, ultimamente, tem estado mal com as barreiras que impôs para limitar o reconhecimento dos engenheiros portugueses, contrariando os acordos bilaterais”, lamentou Fernando Almeida Santos.

José Dias, bastonário da Ordem dos Engenheiros em Angola, que veio a Portugal no âmbito do Dia do Engenheiro, confirmou a necessidade crescente de engenheiros no país em reconstrução e adiantou que já tem registo de 600 profissionais portugueses a trabalhar em Angola. Um número superior ao valor adiantado pela Ordem dos Engenheiros portuguesa, visto que, como explica Almeida Santos, “nem todos os que saem precisam da declaração da Ordem dos Engenheiros em Portugal. Só os que precisam de ver reconhecido o título fora de Portugal precisam da declaração e, em Angola, muitos estão a trabalhar em empresas portuguesas e, por isso, não precisam desse trâmite”.

O salário médio de um engenheiro em Angola “ronda os 5 a 6 mil dólares” (3800euro a 4600euro), oscilando entre 2 mil e 3 mil dólares (1500euro-2300euro) para os mais inexperientes. Pode alcançar várias dezenas de dólares no caso dos mais experientes e encarregados de obras importantes.

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