ESFG exige receber totalidade do dinheiro da venda da Tranquilidade

A Espírito Santo Financial Group (ESFG) exige receber a totalidade do encaixe resultante da venda da Tranquilidade, justificando que a companhia é detida pela Partran, sua subsidiária.

“A ESFG considera, uma vez mais, que o proprietário da Tranquilidade é a sua subsidiária Partran, apesar das alegações do Novo Banco, que a ESFG considera infundadas do ponto de vista legal”, adiantou a holding do Grupo Espírito Santo (GES) em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM)

A holding ameaça avançar para os tribunais se o encaixe da venda da Tranquilidade ficar no Novo Banco. A ESFG vem assim contestar a participação do Novo Banco na venda da Tranquilidade aos americanos da Apollo. Recorde-se que o BES recebeu as ações da Tranquilidade “em penhor financeiro para cobertura de um crédito concedido à ESFG”, de acordo com o comunicado publicado a 15 de setembro pelo Novo Banco. E será a própria venda que “irá concretizar, quando efetuada, a execução do referido penhor financeiro”, referia a nota oficial da instituição.

No comunicado de ontem, a ESFG insiste que “o dono da Tranquilidade é a sua subsidiária Partran” e que o penhor reclamado pelo Novo Banco “não tem fundamento legal”.

A Tranquilidade é detida diretamente pela Partran, que detém 100% do capital. Esta, por sua vez, é detida em 55% pela Espírito Santo Financial Group (ESFG) e em 45% pela Espírito Santo Financial. Ou seja, duas entidades que, em julho, pediram a gestão controlada às autoridades do Luxemburgo, onde estão sediadas.

O Dinheiro Vivo contactou a Tranquilidade, que se mostrou indisponível para qualquer comentário. Até ao fecho da edição também não foi possível obter um comentário do Novo Banco.

Zurich manifestou interesse

A ESFG deixa ainda claro que o grupo Zurich estava interessado em comprar a Tranquilidade e até por um valor acima do que foi oferecido pelos americanos da Apollo Global Management – 215 milhões de euros. O grupo segurador suíço chegou a transmitir essa intenção ao Novo Banco e ao Instituto de Seguros de Portugal (ISP) mas não obteve uma reação. Um cenário que a ESFG lamenta que tenha acontecido.

A ESFG “lamenta” ainda que o Novo Banco não tenha respondido à carta do grupo segurador suíço Zurich. Sem adiantar números, a holding adianta que “nessa carta, que foi endereçada à ESFG e transmitida ao Novo Banco e ao Instituto de Seguros de Portugal, a Zurich não só manifestou o seu interesse na aquisição de Tranquilidade, no âmbito de uma transação entre os profissionais do sector de seguros, mas também anunciou, por escrito, a sua intenção de oferecer um preço mais atrativo do que o sugerido por Apollo”, adiantou a ESFG, no comunicado enviado CMVM.

Os americanos da Apollo Global Management ofereceram 250 milhões de euros pela Tranquilidade. Deste montante, 150 milhões de euros são para injetar na companhia seguradora para repor os rácios de solvência na sequência do impacto da desvalorização causado pelo colapso do GES, e 48 milhões de euros terão como destino o Novo Banco.

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