Este português é um verdadeiro Kennedy

Já fez de tudo um pouco. Desde design, ilustração, fotografia e motiongraphics. Ganhou o concurso promovido pela Adidas para criar os óculos a serem usados pela equipa britânica de 2010 nos Jogos Olímpicos de inverno.

Realizou vídeos para os Paus, criou para Ornatos Violetas. Agora John Filipe tem outro desafio em mãos: é o português no The Kennedys. O programa de formação lançado pela Wieden + Kennedy de Amesterdão.

Saiba mais sobre o trabalho de John Filipe aqui e aqui

“A minha convição fez-me sempre optar por um caminho de freelancer para tentar ter ao máximo liberdade criativa e controlo na gestão do meu tempo”, conta John Filipe ao Dinheiro Vivo. “É um percurso fora da zona de conforto e às vezes assustador dado o panorama nacional. Temos de trabalhar dez vezes mais do que o normal”, diz.

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Como realizador John Filipe é representado pela produtora LoveMagna, com atividade em Lisboa e São Paulo. “Independentemente de estar actualmente na W+K em Amsterdão, continuo a ser representado pela LoveMagna e o meu desejo é de trabalhar/filmar ao máximo em Portugal quando solicitado”, diz.

Ao Dinheiro Vivo, o criativo explica como está a ser a experiência no The Kennedys.

O que te levou a concorrer ao The Kennedys?

Durante vários anos tive incentivos do meu amigo Vasco Vicente [ex-Kennedy – atualmente , diretor de arte da W+K de Amesterdão) para participar. Ele já tinha exposto o meu trabalho com algumas pessoas da agência e os feedbacks foram os melhores possíveis. Confesso que isso foi o maior incentivo pelo sentimento que tive de gratidão e empatia nas palavras que me foram dirigidas.

Tento sempre expor no meu portefólio o máximo do meu trabalho pessoal e à dose mínima do comercial possível (até que esteja ao nível que desejo); Agora compreendo a importância que isso teve para chegar aqui, e já foi assumido pelos ‘chefes’: “É preciso saber detetá-lo, mas o talento cru de uma pessoa vê-se quando ela não tem recursos, e não ao contrário”, dizem. E isso foi o método de selecção deles para este ano dos “Kennedys”, para além da formalidade de responder a um briefing e fazer uma entrevista via Skype.

Como é o ambiente no programa? Que desafios te são colocados?

Toda a liberdade e postura da Wieden + Kennedy é o “ideal” para as mentes criativas. Contudo, toda esta liberdade e postura tem um custo: a exigência e o nível esperado é brutal.

Estou apenas com quatro meses de casa e não posso revelar detalhadamente os projetos em que estou envolvido até que sejam lançados. E, mais uma vez, é muito difícil expressar essa exigência de trabalho, mas apenas em quatro meses já trabalhei com Audi, Heineken, Nike, além de outros; tanto com os Kennedys como a solo, como diretor de arte e produtor (no sentido de realizar/concretizar), diretamente para a W+K fora do projeto Kennedys.

Para por em perspectiva: o primeiro projecto para os Kennedys no final contou com mais de 50 ideias, das quais foram apresentadas sete, exemplificadas e maquetizadas num deck com mais de 100 páginas. Isto tudo em menos de um mês com outros projetos a acontecer em simultâneo. Era considerado pelo nosso diretor criativo como o projeto mais difícil a acontecer na W+K e o mais cobiçado naquele momento.

Algumas pessoas pensam que os Kennedys são “uma espécie de estágio”. Mas, para mim a melhor forma de explicar os Kennedys é: uma potencial forma de recrutamento da W+K, onde juntam um grupo de talento para responder a briefings de forma agressiva e experimental, desde à criação até à execução. Essa forma de “potencial recrutamento” também é vital para manter a agência dinâmica e com o nível experimental que eles desejam.

Como grupo também somos inspiradores uns para os outros. Dou o exemplo do Carlo, o Italiano. É um pouco mais velho que eu e também realizador, mas está com o que eu considero “a vida de sonho”: tem a mesma posição que eu, e durante estes quatro meses até à semana passada esteve a escrever a sua 2ª longa metragem que vai realizar. É super inspirador ver outro realizador conseguir concretizar aquilo que eu e grande parte dos realizadores querem (chegar ao cinema).

E como está a ser viver em Amesterdão? E como é estar na W+K, considerada um polo de criatividade mundial?

Acho o tamanho da cidade e a quantidade de população o ideal, o pior desta cidade é mesmo a chuva ao calhas.

A W+K é uma agência muito especial com valores muito próprios. É um melting-pot com pessoas de todos cantos do mundo mas que
curiosamente penso não haver nenhum holandês criativo… A relação entre
todas as pessoas é super bem educada e respeitadora mas super informal.
Existem todas as condições dentro da agência inclusive bar aberto todas
as quintas feiras a partir das 17:00.

Assim que pousamos o pé cá dentro levamos uma chapada da realidade de como é que as coisas devem ser feitas. Ensinam-nos a não fazer publicidade, mas a assumir que somos criadores de cultura ou contra cultura.

Quando se quer ter este tipo de impacto “ser criador de cultura” significa que estamos muito distantes de referências ou de coisas que já foram feitas. Por essa razão entende-se bem a razão pela qual os criativos da W+K devem ter um background forte em várias disciplinas: a forma como tem de ser apresentado um projeto, exige uma execução a um nível de “quase que já está feito”.

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