dívida pública

Fitch: Eleições “são risco” político negativo para Portugal

"As eleições de 2015 levantam riscos no rumo político de Espanha, Portugal e Grécia", alerta a agência de rating Fitch, num estudo hoje divulgado.

A perspetiva do rating português até foi revista em alta, de estável para positivo em abril, mas a empresa que classifica a qualidade do crédito da República e das grandes empresas nacionais, está cada vez mais inquieta com os efeitos do processo democrático no curso da política económica e social do país.

“As sondagens têm vindo a favorecer cada vez mais partidos anti-sistema [“anti-establishment”] em muitos países da periferia da zona euro, em 2014.”

Para a Fitch, “isto levanta riscos à implementação das políticas e de incerteza política em 2015, na medida que estão agendadas eleições em Espanha (dezembro) e Portugal (outubro)”. Além disso, “o risco de eleições antecipadas na Grécia e a potencial eleição de um governo Syriza também tem o potencial de desencadear um choque”.

Por enquanto, a Fitch destaca Portugal e Grécia por terem sido os únicos países do euro a melhorarem o Outlook do seu rating em 2014. “O balanço dos outlooks na zona euro aponta para uma ligeira melhoria na qualidade de crédito. Os países mais atingidos pela crise começaram a recuperar e a reequilibrar-se. Mas o baixo crescimento nominal do PIB e os défices orçamentais persistentes tornaram difícil a redução do rácio dívida/PIB, colocando o rating em risco”, acrescenta o estudo.

O Governo anda a prometer uma redução do défice para 2,7% (menos de 3%, o limite do pacto europeu), mas várias instituições não acreditam no valor e falam em 3,3% do produto interno bruto.

O problema da democracia

A tese da Fitch é que o exercício da democracia pode resultar numa mudança de políticas a favor de outra menos consentâneas com os seus parâmetros de classificação da dívida e do que devem ser as políticas de um país.

A agência avisa ainda que caso se torne claro que o Banco Central Europeu não atue como esperam os mercados em termos de programas de compras ilimitadas de dívida, existe o risco de uma venda em massa de obrigações dos países periféricos (como Portugal, Espanha e Grécia), agravando ainda mais a sua delicada situação em termos de endividamento e de fatura de juros.

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