Fazedores

Gelados de Portugal: Uma bola de ovos-moles e outra de leite-creme

Nem dá para imaginar o estado daquela cozinha. Há três anos, o
engenheiro Rui Almeida, 40 anos, decidiu levar doces de ovos da
Fabridoce – maior produtora de ovos-moles de Aveiro e primeira a
vendê-los em supermercados (Jerónimo Martins e Sonae) – para casa
para experimentar fazer gelado. Arrancou com uma máquina caseira e,
depois de aplicar os seus melhores conhecimentos e dicas de receitas,
o engenheiro decidiu levar o resultado da experiência para a festa
de aniversário da empresa, há pouco mais de um ano.

“Para nós também foi um bocadinho uma surpresa pegar no que
fazíamos melhor e transformá-lo em gelado”, confessa Catarina
Ribeiro, 29 anos, funcionária da Fabridoce.

Às provas seguiram-se mais testes, novas experiências e a
vontade de produzir algo novo. Rui Almeida decidiu: a Fabridoce ia
criar a Gelados de Portugal, com receitas artesanais, e usaria os
canais de distribuição já criados pela venda de ovos-moles para
entrar nas grandes cadeias.

A ideia não lhe saía da cabeça porque havia potencial no
aproveitamento dos produtos e sabores tradicionais portugueses que
podiam ser usados de forma inovadora, em produtos diferentes daqueles
que a fábrica estava habituada a fazer. Seguiram-se as receitas
feitas com a ajuda do chef Nélson Félix, da Escola de Hotelaria e
Turismo: de chocolate com suspiros, requeijão de Idanha-a-Nova e
doce de abóbora, mirtilos de Sever do Vouga com framboesa e
chocolate, leite-creme e banana da Madeira. No primeiro ano de vendas
– em exclusivo nas lojas da Auchan – a Gelados de Portugal
surpreendeu–se com o sucesso: a empresa entrou em rutura de stock,
com muitos pedidos de novos sabores feitos por clientes e com a
logística de produção que chega às 300 embalagens de gelado por
dia (de 150 ml, 450 ml e 5 l), assegurada na mesma fábrica que
produz os ovos-moles mas com uma equipa dedicada exclusivamente aos
gelados.

“A Auchan foi a nossa primeira escolha, pela dimensão. Não
queríamos escolher uma cadeia cujos pedidos não pudéssemos
satisfazer. Este primeiro ano está a servir de teste aos processos e
à estratégia”, esclarece Catarina. Com as primeiras receitas
aprovadas pelo público, a Fabridoce, que faturou três milhões de
euros em 2012, cresceu em número de máquinas e empregados,
sobretudo devido ao negócio dos gelados. “Apesar de serem
considerados um negócio sazonal, a Gelados de Portugal surgiu para
equilibrar as vendas em meses mais fracos para o nosso
core-business”, explica Catarina. Por isso, está em estudo a
ampliação da fábrica, um reforço no investimento de 50 mil euros
feito há um ano, e a contratação de mais pessoas para a equipa de
cinco empregados que se dedica a tempo inteiro à produção dos
gelados, que já chegaram a Inglaterra. “Há algum interesse dos
clientes [estrangeiros] mas há sempre algum receio. Queremos
continuar a crescer com calma, a estudar bem todas as possibilidades
e explorar este mercado da saudade que se conjuga com a nossa lista
de sabores tradicionais portugueses.”

Na lista de possíveis lançamentos, os mais desejados pelos
clientes são os gelados de ginginha de Óbidos, bola-de-berlim e
pastel de nata.

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