Petróleo

Governo acredita que petróleo a 60 dólares reduz défice até 2,5%

O preço do petróleo baixou ontem até aos 60 dólares por barril (Brent), tendo chegado mesmo a negociar na casa dos 59 dólares, o valor mais baixo desde julho de 2009. Pelas contas do Governo, a manutenção da cotação nestes níveis pode permitir, por si só, reduzir o défice do próximo ano em duas décimas percentuais.

Em vez dos 2,7% do produto interno bruto (PIB), o défice pode baixar automaticamente para 2,5%, que era, aliás, meta inicial combinada com a troika, diz o modelo econométrico das Finanças. As contas emergem diretamente da análise de riscos do cenário macroeconómico, que acompanha o Orçamento do Estado de 2015 (OE/2015).

Segundo esse modelo, economia e variáveis orçamentais reagem de determinada forma às oscilações em fatores exógenas, como preço do petróleo, taxa de juro de curto prazo e procura externa relevante.

Uma subida de 20% no custo do crude tende a agravar as condições da economia e das contas públicas. Inversamente, uma descida facilita a conjuntura nacional.

Ora, um preço do Brent na orla dos 60 dólares já se traduz numa descida de quase 40% no preço que foi tomado como hipótese de base para a construção do Orçamento: 96,7 dólares por barril.

Assumindo tudo o resto constante, uma descida do petróleo em 40% levaria a uma melhoria do crescimento da economia dos 1,5% projetados para 2,5% e o défice poderia melhorar duas décimas. Por cada 20% de descida no crude, o défice melhora 0,1 pontos percentuais.

Como a economia tende a melhorar – é estruturalmente dependente de petróleo importado – a taxa de desemprego também sairia beneficiada, podendo recuar dos 13,4% da população ativa para 13,2% (caso a média do petróleo caia 40%, para os 60 dólares).

No entanto, o modelo das Finanças tem algumas fragilidades. Trata-se de um modelo meramente mecânico que se aplica a um orçamento cuja redução do défice assenta, maioritariamente, na redução da despesa pública. Não é o caso.

Pelo menos metade da redução do défice planeada assenta em aumentos de receita, designadamente de impostos. Se o custo do petróleo cair, o Estado tende cobrar menos IVA, o principal imposto. Não é de crer que o consumo privado dispare uma vez que o rendimento das famílias continua esmagado pelos impostos e pelo desemprego demasiado elevado.

Mas no OE/2015, o Governo faz a seguinte ressalva: “os conflitos geopolíticos instalados nos principais produtores de petróleo (Iraque, Líbia, Ucrânia e Rússia) poderão igualmente provocar perturbações na oferta do petróleo e alterar os preços, no sentido da sua subida, contrariando a atual tendência descendente”.

Para já, o petróleo está a descer de forma imparável (assim é desde julho) porque a organização dos países produtores (OPEP) recusa-se a reduzir a produção. E, facto não menos importante, a economia mundial continua a dar sinais de fraqueza, sobretudo as nações emergentes, como a China (que está a desacelerar). O FMI reviu recentemente o crescimento global em baixa, de 3,7% para 3,3% este ano, por exemplo.

Família média portuguesa poupa 16%

“Uma família que gaste anualmente 3.800 euros em combustível, irá poupar um montante anual que pode rondar os 600 euros, ou seja, menos 16% face a 2014″ em face da queda dos preços do petróleo bruto nos mercados internacionais, estima uma análise da corretora financeira Golden Broker ao segmento do gasóleo.

“A expectativa para 2015 é que o preço médio diário do gasóleo em Portugal seja bem mais baixo do que a média em 2014”, antecipa João Carlos Pinto, analista daquela empresa, num comunicado enviado às redações.

“Dado que um dos bens que Portugal mais importa é o petróleo, esta previsão traz boas notícias para a economia portuguesa, pois indicia uma redução em valor absoluto das importações porque se compra o petróleo mais barato.”

“A projeção para o preço médio do gasóleo para 2015 é de 1,10 euros por litro”. Atualmente, está em 1,17 euros. “Quer dizer que, apesar de Portugal comprar a mesma quantidade de petróleo, vai pagar menos ao exterior, o que ajuda a equilibrar as contas entre importações e exportações.”

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