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Guru de luxo: “Luxo no turismo poderia ser o grande salto de Portugal”

Carlos Ferreirinha é considerado um dos gurus do segmento de luxo, sendo uma referência nos mercados da América Latina. Já foi diretor de marketing e comunicação para a América Latina e Caraíbas da Louis Vuitton e foi ainda presidente da Louis Vuitton Brasil. Com mais de 20 anos de experiência a atuar no mercado de luxo, Carlos Ferreirinha é o orador principal da terceira edição do curso executivo em Luxury Brand Managemen, do ISEG.

Em entrevista ao Dinheiro Vivo, Carlos Ferreirinha, revelou quais os mercados que mais cresceram e como Portugal se pode destacar.

O luxo não se resume apenas a marcas de roupa, jóias ou acessórios, embora esta seja a primeira imagem que nos surge à cabeça quando pensamos no conceito. Estas são os segmentos na área de luxo com maior potencial de crescimento, ou há outros?

É natural a forte associação do luxo com moda, jóias e acessórios. Muito da história do luxo está diretamente ligada a essas categorias. Há também que relevar o facto de que a evolução da sociedade de consumo sempre ter tido na moda os ícones que demonstravam diferenciação. A inteligência do luxo enquanto gestão, atividade económica e expansão do entendimento é recente: 25 anos, no máximo. Tudo que falar de forma mais ampla no consumo, mais democrática, ganha relevância no luxo: roupa, jóias, acessórios, beleza.

Quais os mercados que estão a crescer mais rapidamente?

O luxo cresceu muito nos últimos 20 anos. Os mercados emergentes foram a força propulsora nos últimos 10 anos: Ásia como um todo, América Latina, Leste Europeu.

Acha que Portugal tem potencial em algum segmento da área de luxo? Quais?

Muito. Definitivamente o luxo no turismo, a meu ver, poderia ser o grande salto de Portugal. Entretanto, marcas tradicionais como a Vista Alegre poderiam ganhar mundo. A gastronomia com todos os derivativos também, como vinhos.

Qual o perfil do consumidor brasileiro que compra em Portugal?

Brasileiro é entusiasmado, alegre, motivado naturalmente. Vive o esplendor do consumo internacional. O brasileiro de alta renda tradicional ainda precisa conhecer mais Portugal e ter Portugal como destino final e não passagem. O volume de brasileiros consumidores em Portugal, apesar de serem muitos e fortes, tem como principal perfil o “mediano” e não a tradicional elite, alta renda.

É expectável que haja mais brasileiros a consumir marcas e bens de luxo em Portugal?

Sim, totalmente. E muito mais poderia ser feito para atrair os brasileiros. Portugal oferece muitas vantagens aos brasileiros: acolhimento, língua, espírito europeu (que os brasileiros adoram), gastronomia e preços.

Quais as mais-valias de fazer um curso de luxo?

Nem todas as marcas, categorias e empresas podem ou devem ser de luxo. No entanto, todos os segmentos, marcas, empresas, categorias podem aprender com a inteligência da gestão do luxo. Atributos competitivos de marcas de luxo como a qualidade não negociada, comprometimento imperativo com a excelência e diálogo emocional, podem ser usados em diversos movimentos de gestão.

Quais são as suas marcas de luxo preferidas?

Não consigo responder a essa pergunta. Lido com marcas de luxo profissionalmente há mais de 20 anos. Muitas têm aspetos que me despertam interesse na gestão. Não sou consumidor de luxo, sou especialista na gestão de luxo.

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