Imobiliário

Imobiliário: Sócrates e BES atenuam efeitos da crise nos vistos gold

O alegado esquema de corrupção na atribuição de vistos gold, a maioria dos quais entregue na compra de casas de mais de 500 mil euros, acabou por lançar um clima de suspeita sobre as empresas de imobiliário, principalmente as mediadoras. Contudo, o impacto no negócio está a ser menor do que esperado.

“Falou-se muito do caso a nível internacional e pensei que ia retrair o investimento, mas continuam a fazer-se negócios como antes. Penso que os acontecimentos que se seguiram, ou seja, a detenção de Sócrates e depois as buscas no Novo Banco por causa do BES, atenuaram o impacto que se previa”, diz o presidente da associação das mediadoras (APEMIP), Luís Lima.

O caso nem parece estar a afetar os outros grandes investidores em imobiliário em Portugal, como os franceses, os britânicos ou os nórdicos, que não precisam de vistos gold. “Esta situação até passou a perceção de que as instituições estão a funcionar e acabou por ser mais positivo do que negativo”, diz Ricardo Sousa, administrador da Century 21 em Portugal e Espanha, uma empresa que tem trabalhado muito com este mercado.

Neste momento, repara o presidente da APEMIP, o único efeito negativo do caso dos vistos gold é o facto de os negócios demorarem mais tempo a ficar fechados. Aliás, diz Ricardo Sousa, já desde o verão que “os investidores começaram a recorrer a avaliadores para garantir que os preços não estavam a ser inflacionados”.

O aumento do tempo de decisão até se fechar um negócio pode explicar, em parte, o recuo do investimento que se registou em novembro, o mês em que estalou a polémica. Segundo dados da Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário (CPCI), o investimento estrangeiro em imobiliário por via dos vistos gold desceu de 108 milhões em outubro para 90 milhões no mês passado.

Contudo, foi mais que os 71 milhões de setembro o que, diz a CPCI, demonstra, “inequivocamente, que se trata de um regime com um forte potencial de atração de investimento e que continua a merecer a confiança dos investidores”.

E é precisamente para garantir que essa confiança não se perde que Luís Lima vai sugerir que o governo faça uma auditoria aos mais de 1900 vistos que já foram atribuídos desde que o programa começou. “É preciso apurar se está tudo correto com o dinheiro que entrou em Portugal, saber quem comprou, de onde vem e se entrou ou não”, adiantou.

Para o presidente da APEMIP, que já se disponibilizou para ajudar, este trabalho é essencial para garantir que o negócio se mantém. É que “apesar de os vistos gold não serem a maior parte do investimento estrangeiro em imobiliário, sem este programa o sector teria uma recaída que seria pior do que a doença em si”, concluiu.

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