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INE responde ao Banco de Portugal: Dados do emprego têm “mais qualidade”

A quarta-feira passada foi marcada por um embate raro, pelo menos em público, entre o Banco de Portugal (BdP) e o Instituto Nacional de Estatística (INE). O banco central <a href="http://www.dinheirovivo.pt/Economia/interior.aspx?content_id=4288845">fez uma crítica contundente</a> aos números da criação de emprego publicados pelo INE no início de Novembro (IE - Inquérito ao Emprego, do terceiro trimestre), tendo concluído que existe uma inflação no emprego explicada pelas alterações metodológicas e pela contabilização dos estágios profissionais, que não são propriamente emprego no sentido normal do termo.

O Dinheiro Vivo perguntou ao INE se reconhece algum dos problemas apontados pelo BdP e se os números a que chegou o banco central são de melhor qualidade. Fonte oficial respondeu que, face à introdução dos Censos 2011 na amostra do Inquérito ao Emprego (a tal alteração de método), “verifica-se uma maior cobertura da base de amostragem do Inquérito ao Emprego e da qualidade dos resultados obtidos”, contrariando assim a ideia transmitida pelo Banco governado por Carlos Costa.

No boletim económico de dezembro, divulgado nessa quarta-feira, o BdP diz que no terceiro trimestre, a criação de trabalho por conta de outrem (TCO) foi de 6% em termos homólogos (a cifra oficial, anunciada pelo INE). O banco central foi analisar as bases de dados da Segurança Social e do Estado (onde o emprego está a cair) e conclui que o crescimento não ultrapassa 1,9% no mesmo período, no país como um todo. É três vezes mais baixo.

Estágios inflacionam emprego, mostra o BdP

Além da questão metodológica, o BdP diz que “para este acréscimo do volume de emprego estão também a contribuir as políticas ativas de emprego, em particular os estágios profissionais“. É o efeito de ter o Estado a patrocinar emprego nas empresas e até no próprio sector público.

Para o Banco, “o aumento significativo dos estágios profissionais no último ano terá contribuído para o crescimento homólogo do emprego privado por conta de outrem em cerca de 0,9 pontos percentuais”. Segundo as suas contas, o aumento total no privado foi de 2,5%. O aumento do emprego global por conta de outrem foi apenas de 1,9% devido à destruição de postos de trabalho no sector público.

Fonte oficial do INE reconhece, ainda assim, que “o processo de atualização gradual da amostra do IE poderá resultar numa alteração também gradual na composição da população em termos de condição perante o trabalho, com tradução nas variações trimestrais e sobretudo nas variações homólogas”, mas nunca que os dados sejam menos fiáveis ou robustos. Pelo contrário.

Um procedimento normal, diz o INE

“A amostra do Inquérito ao Emprego tem características de painel e prevê um esquema de rotação trimestral, que visa, entre outras razões, evitar uma sobrecarga excessiva sobre os respondentes, com reflexo na qualidade das suas respostas” e “este processo de atualização amostral é necessário e ocorre sempre que existem resultados de novos Censos, como sucedeu já após a disponibilização dos resultados definitivos dos Censos 2001”, sublinhou o INE em novembro, quando ocorreram as mudanças.

“Com este procedimento, visa-se garantir uma melhor cobertura da base amostral do Inquérito ao Emprego e uma redução das taxas de não resposta, ambas com impacto positivo na qualidade dos resultados apurados”, acrescentou.

O INE acrescenta: “no 1º trimestre de 2015, as variações trimestrais terão por base amostras provenientes exclusivamente dos Censos 2011, o mesmo sucedendo para as variações homólogas no 4º trimestre de 2015”. Será nesta altura que o efeito da alteração metodológica se dissipará totalmente nas comparações homólogas. Isso mesmo foi notado pelo Banco de Portugal.

O INE termina, relativizando o estudo do banco central, dizendo que “sobre este assunto, faz-se notar que o Banco de Portugal (…) concluiu que o dinamismo recente do emprego (formal) poderá não ser inconsistente com o crescimento moderado da atividade neste período”. Mas é no “poderá” que está o problema.

O primeiro-ministro também entrou neste debate. Na sexta-feira, refutou a ideia de que o Estado esteja a mascarar a criação de emprego. “Este é um sinal positivo, dizer que as políticas ativas de emprego estão a funcionar. São responsáveis por uma parte do emprego e os resultados são importantes para muitos dos que passam lá”, disse, citado pela Lusa. Afirmou ainda que os estágios conferem “70% de taxa de retenção” de emprego às pessoas que os frequentam.

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