João Duque: “Não sei como é que Costa vai resolver a quadratura do círculo”

António Costa foi vago quanto às suas propostas durante a campanha para as eleições primárias do PS. Aliás, defende o economista João Duque, o agora candidato a primeiro-ministro não propôs nada que o distinga da oposição. "Aquilo que o ouvi dizer foi que quer relançar a atividade económica, mas isso é o que todos querem", comenta ao Dinheiro Vivo o professor do Instituto Superior de Economia e Gestão.

Quais devem, então, ser as prioridades de António Costa? Para João Duque, o desafio é complexo. “Não sei como é que ele vai resolver a quadradatura do círculo”, diz.

Isto porque, antes de tudo, António Costa terá de decidir se quer relançar a economia através de uma estratégia assente na iniciativa pública ou na iniciativa privada. “Como António Costa bem sabe, não há margem para a iniciativa pública, porque o país não tem folga para isso se não houver iniciativa privada”, nota João Duque.

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O problema é que a intenção de investimento dos privados “não vai aumentar só porque ele vai a eleições”. As expectativas, defende o economista, só serão positivas se a procura interna aumentar.

“A única folga que Portugal tem neste momento é por via de um financiamento da economia através da banca, com recurso à compra de dívida privada do Banco Central Europeu”, diz o economista.

Assim, “é preciso que existam empresas dispostas a investir”. Só que, do lado do Governo, não haverá qualquer margem para incentivar este investimento.

“O Governo não tem margem nenhuma para aliviar a carga fiscal. A economia portuguesa não está a crescer a ponto de permitir uma redução do défice”, afirma João Duque.

Por isso, o economista não tem dúvidas: “qualquer que seja o primeiro-ministro, vai continuar a mesma lenga-lenga: isto está pior do que pensávamos e vamos ter de continuar com o ajustamento”, conclui.

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