Lisbon Challenge

Lisbon Challenge. 10 fazedores partem em busca de investimento

O passaporte de James Muscat dava um livro. Nasceu em Malta, foi para a Austrália aos 3 anos, partiu para Lisboa aos 17, viveu em Madrid, Paris, Tel Aviv e voltou para Lisboa em 2009. Foi nessa altura, depois de ter vivido a experiência da emigração por tantas vezes, que percebeu que quem parte precisa de ajuda. Criou uma empresa para acolher e orientar estrangeiros que vinham viver para a capital portuguesa, mas demorou pouco tempo a perceber que não conseguia ter o que era preciso para chegar a todo o mundo.

É isso que tem a Moviinn. “Estamos cá para ajudar uma pessoa a mudar-se de um país para outro. Informamos sobre o que é que as cidades têm para oferecer, a nível de trabalho, de estudo, de vistos”, conta o maltês. Tudo através de uma aplicação, disponível em versão web e mobile. O primeiro passo é criar um plano personalizável e uma check list para o utilizador. Depois, é disponibilizada a informação base sobre a cidade de destino: quais as profissões mais procuradas, qual a oferta educativa, como se consegue um visto, onde encontrar alojamento. Por fim, o smart networking. “Se fores de Lisboa e quiseres ir para Nova Iorque, o melhor contacto que podemos dar-te é o de um lisboeta a viver em Nova Iorque. Esse seria o match perfeito, que nem sempre é possível, portanto, temos outros: um portuense a viver em Nova Iorque, ou um português que já viveu nessa cidade”, por exemplo.

A Moviinn foi uma das 22 empresas a participar na terceira edição do programa de aceleração de startups tecnológicas Lisbon Challenge, organizado pela Beta-i, que chegou ao fim na semana passada. Destas, 10 ganharam a oportunidade de partir em roadshow por Tel Aviv, Londres, São Francisco e Nova Iorque.

“Vamos fazer visitas a sociedades de advogados, que explicam o enquadramento legal e fiscal, visitar aceleradores e potenciais clientes, como a Google ou a Dropbox, e fazer apresentações a investidores diretos“, explica Pedro Rocha Vieira, presidente da Beta-i.

No caso de Tel Aviv, o interessante será fazer parcerias com startups israelitas, para conseguir chegar a outros mercados. “Israel tem modelos de internacionalização muito interessantes e uma presença muito forte na China e nos EUA”, afirma.

“O roadshow vai ser uma oportunidade para entrarmos em contacto com a realidade vivida por outros empreendedores noutras partes do globo, para observarmos o funcionamento de outros programas de aceleração e para podermos apresentar o nosso projeto a outros potenciais financiadores ou parceiros”. Quem o defende é James Kirkby, que também passou três meses no programa de aceleração da Beta-i.

A startup de James é, provavelmente, a mais velha do programa. A Rewind Cities Lisbon é uma empresa familiar que começou quando a sua mãe, Jane Kirkby, professora de história, lançou o projeto Legendar Lisboa. “A ideia era dar a conhecer toda a história da cidade que não é visível. Um guia turístico tem os marcos mais importantes, mas a história de uma cidade tem séculos por contar”. Jane Kirkby acabou por não levar o projeto para a frente na altura e, entretanto, decidiu retomá-lo. Se a tecnologia de então era outra, hoje tudo é possível: “Até criar máquinas do tempo de bolso”. Por isso, em vez dos mupis em que inicialmente tinham pensado, de-senvolveram uma aplicação que não mostra só a história através de imagens e filmes, como recorre à realidade aumentada para levar os utilizadores ao passado. “Sobrepomos imagens do antigamente à realidade atual e, assim, mostramos como cada local era há séculos”.

Depois de um investimento de 30 mil euros e de terem conseguido o apoio da Câmara de Lisboa, da Samsung e da Carris e do Metro, James lançou a aplicação para iOS e Android e já tem 32 pontos de interesse desenvolvidos, de Belém a Alfama, e três rotas temáticas. Agora, a Rewind Cities procura um investimento de meio milhão para crescer em Lisboa, em Portugal e no estrangeiro, com Paris já na mira.

É mais ou menos o mesmo investimento que procura a equipa da WalletSaver, um exemplo da internacionalização do Lisbon Challenge. Giacomo Putignano, Jacopo Soria e Antonio Davoli ouviram que o ecossistema empreendedor de Lisboa estava a crescer e aterraram este ano na Portela. Oferecem uma aplicação gratuita que extrai toda a informação sobre o telefone do utilizador, desde a duração das chamadas à Internet que consome, para sugerir o melhor tarifário. A análise deverá estar disponível para Portugal já a partir de fevereiro.

O Lisbon Challenge conta com três edições e os resultados são animadores. Metade das mais de 60 startups que participaram criaram mais de 400 empregos, 40% obtiveram investimento, num total de 23 milhões de euros, e registaram um aumento de 270% de clientes pagos.

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