Internet

MyKubo. Nesta loja, todos são acionistas das suas marcas favoritas

A sua montra é fácil de organizar: afinal, só entram os seus favoritos. Escolha óculos, sapatos, roupa e decoração e crie a sua loja de sonho online. No momento em que os seus amigos e seguidores façam compras a partir daquilo que veem e escolhem na sua montra, você ganha uma comissão de 3%.

Afinal, a vocação do MyKubo, rede social comercial portuguesa, é muito mais do que cuscuvilhar a loja do vizinho: na parede alheia pode dar uma vista de olhos nas wishlists de amigos, seguir as recomendações dos embaixadores da marca, inspirar-se nas tendências partilhadas por bloggers para a temporada e conhecer novas marcas. Através das montras alheias, pode escolher o que quer e comprar de imediato: no momento em que clica num produto, a rede social transforma-se numa loja de e-commerce pura e dura.

“O MyKubo surge da verificação de um gap no mercado: por um lado, o e-commerce em expansão e, por outro, a migração do boca-a-boca para as redes sociais. Entre um e outro, o espaço para proporcionar aos clientes a oportunidade de comprarem diretamente nos sítios onde viam os produtos que desejavam. A partir daí começámos a desenvolver a rede social, que nasce assumidamente como comercial”, detalha Vasco Teixeira-Pinto, 31 anos, um dos cinco fundadores do projeto.

No mercado desde o último dia de setembro, o MyKybo escolheu para o lançamento 16 embaixadores, os primeiros a poderem convidar amigos para a rede. Três meses depois, há mais de 100 marcas disponíveis – a maioria portuguesas – cujos produtos se repartem de maneira personalizada pelos pequenos cubos de cada perfil: cada uma das seis faces do cubo funciona como uma pasta de tendências curada, com as preferências de cada utilizador.

Apesar de ter sido criado como uma rede social comercial, o MyKubo tem, cada vez mais, evoluído para uma rede de tendências na qual os utilizadores podem tornar-se trendsetters e uma espécie de sócios das marcas que preferem. A cada venda ganham uma comissão sobre o valor do produto vendido.

“A base é a recomendação. No processo tradicional, a relação é entre marcas e consumidores. O MyKubo traz uma camada intermédia, a dos utilizadores, que podem nunca virar consumidores, mas ser sempre líderes de opinião. Mesmo antes de sabermos como lhe íamos chamar, a ideia que serviu de ponto de partida à criação do conceito foi a de triple win: aqui ganham as marcas – que vendem os seus produtos – os intermediários – o site que gere essas relações – e os consumidores. Conseguimos encontrar o equilíbrio desta forma: criando uma rede em que cada pessoa é recompensada por uma recomendação que faça. Sempre que a marca ganha, a plataforma ganha e, com ela, ganha o consumidor”. Por isso, a cada venda, o MyKubo recolhe 7% do valor da peça (que é sempre vendida ao preço da marca): 3% para quem vende, 3% para quem compra e 1% para quem convidou um utilizador que ande às compras. Estas percentagens são convertidas em pontos MyKubo, que equivalem a descontos nas compras seguintes.

“Acreditamos que o que interessa ao cliente não é só o preço e, por isso, não somos um site de descontos. Os preços que praticamos são os mesmos que estão nas lojas a cada momento. Não faz sentido ter um produto que já esteve em stock há dois anos. As marcas escolhidas são sujeitas a um teste com três pilares fundamentais: qualidade dos produtos, capacidade de entrega e design. E cerca de 70% das nossas marcas são emergentes, que vendem num mercado de nicho e, nesta fase, sobretudo marcas portuguesas”, detalha Vasco.

Com uma equipa de seis pessoas e um investimento de mais de 100 mil euros no desenvolvimento do conceito e do projeto, o MyKubo já sonha com novos mercados: ao mesmo tempo que faz crescer a rede de trendsetters, encontrou na plataforma uma maneira de promover lá fora as marcas portuguesas e de dar a conhecer outras, internacionais, no mercado nacional. E de tornar participantes no processo de compra e venda os “publicitários“.

“Existem três pessoas diferentes no MyKubo: os embaixadores convidados, os trendsetters, cuja lista funciona como um ranking que tem como base o número de seguidores e esses seguidores, que num sítio apenas pode saber de tendências e comprar as peças favoritas num só sítio”, esclarece Vasco. Por isso, o MyKubo abre ainda outra possibilidade: prolongar as receitas das recomendações. “Muitos bloggers escrevem posts pagos retorno termina ali mesmo. Mas, se um blogger incluir um link MyKubo no seu post, as marcas saberão quantas peças venderam através das respetivas lojas e isso faz com que a receita não se esgote no post mas continue por tempo indeterminado. Se dos 60 mil seguidores da Maria Guedes [blogger do Stylista e embaixadora do MyKubo: veja a reportagem sobre o blog aqui], mil comprarem o produto de que a Maria Guedes fala no blog através do seu perfil MyKubo, a blogger recebe uma percentagem do valor de cada venda”, explica Vasco.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
(Gustavo Bom / Global Imagens )

Englobamento agrava IRS para rendimentos ‘protegidos’ pelo mínimo de existência

(Gustavo Bom / Global Imagens )

Englobamento agrava IRS para rendimentos ‘protegidos’ pelo mínimo de existência

Salvador de Mello
( Álvaro Isidoro / Global Imagens )

Saúde não pode andar “ao sabor de ventos políticos”

Outros conteúdos GMG
MyKubo. Nesta loja, todos são acionistas das suas marcas favoritas