Desemprego

Observatório: Retoma desagrava desigualdades, mas não as resolve

O diretor do Observatório das Desigualdades, António Firmino da Costa, disse hoje que a retoma económica "é fundamental" para desagravar algumas desigualdades, mas insuficiente para as resolver.

A retoma económica é decisiva, é fundamental, mas não resolve as desigualdades só por si“, disse António Firmino da Costa, que falava à agência Lusa a propósito do colóquio “Desigualdades em Debate 2015”, promovido pelo Observatório das Desigualdades e pelo Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Universitário de Lisboa e que hoje decorre em Lisboa.

O investigador explicou que o crescimento económico pode resolver algumas desigualdades se voltar a “criar emprego significativo”, mas defendeu que para combater o problema tem de “haver modificações nas dinâmicas das economias da sociedade”, com respostas sectoriais.

Essas respostas passam por “políticas diferenciadas das mais recentes” a nível do ensino, por um sistema fiscal mais equitativo e pelo acesso universal aos serviços públicos.

“Quando há mais taxas moderadoras, mais restrições de acesso, mais privatização de serviços, isso pode ter muitas justificações – para uns é ótimos, para outros é péssimo – mas uma coisa é certa não gera mais igualdade”, comentou António Firmino da Costa.

Por outro lado, “é fundamental que Portugal, que está muito mal colocado comparativamente com o resto dos países europeus quanto à qualificação escolar da sua população, volte a ter políticas fortes de qualificação escolar”.

Não temos condições de sair de uma situação de desigualdade muito negativa de grande parte da população se ela não se qualificar mais“, sustentou.

O combate às desigualdades também passa por “uma política fiscal mais equitativa”, uma vez que o atual sistema fiscal “incide de maneira completamente desigual sobre os rendimentos de trabalho comparativamente com os rendimentos de transações financeiras, rendimentos de capitais mobiliários e imobiliários, etc”.

“Como a maior parte das populações não tem outras propriedades, tem é o seu trabalho, na maior parte das vezes medianamente remunerado ou mal, isto significa um permanente agravamento das desigualdades económicas”, acrescentou.

O diretor do observatório adiantou que “são várias as frentes em que as desigualdades, infelizmente, se têm agravado bastante em Portugal” nos últimos tempos.

“Portugal já era uma das sociedades europeias mais desiguais, mas com a crise económica e, sobretudo, com as medidas de austeridade as desigualdades económicas acentuaram-se outra vez muitíssimo”, lamentou.

Esta situação é preocupante porque, por um lado, “afeta muito as pessoas e piora as suas circunstâncias, e por outro, estas transformações na estrutura da sociedade levam muito tempo a melhorar”.

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