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Pharmassistant. Está na hora da medicação

Um dia, a avó de Diogo Ortega tomou por engano um medicamento do avô. Não houve consequências, mas Diogo decidiu que tinha de haver uma solução mais eficaz para o problema. A ideia começou assim: no futuro, os telemóveis iriam dizer quais os medicamentos que têm de ser tomados.

Só em Portugal, estima-se que metade da população sofra de uma doença crónica. Três milhões têm duas doenças crónicas e entre 500 mil e 600 mil vivem com cinco ou mais. Com o aumento da esperança média de vida, a tendência será para agravar. São números que podem ser vistos como assustadores ou como uma oportunidade. Diogo Ortega optou pela segunda alternativa e criou a Pharmassistant, uma caixa de medicamentos inteligente que está ligada ao telemóvel e que aciona alarmes quando é relevante.

A ideia, que surgiu em 2013, “foi sempre fazer um produto para o futuro, porque, obviamente, a tecnologia não está ainda disponível para todos, especialmente para a população mais idosa”, conta Diogo, licenciado em gestão. Mas a taxa de penetração de smartphones cresce todos os anos e está a chegar a pessoas a quem não chegava anteriormente, “portanto, até as pessoas mais velhas já têm um, até porque é difícil comprar um telemóvel que não seja um smartphone”.

Depois de ter participado sozinho – e vencido 14 mil euros – no concurso de aplicações Appy Day, do BPI, em 2013, Diogo começou a reunir uma equipa para desenvolver o projeto. A ele juntou-se Sofia Almeida, Luís Castro, Joana Vieira e, mais recentemente, Mário Ribeiro e Francisco Esteves. Depois de terem participado no acelerador da Beta-i, o Lisbon Challenge, passaram de “um powerpoint e umas ideias giras” para um produto sólido, que já convenceu a gigante farmacêutica Bayer, que os convidou a participar no acelerador grants4apps, durante três meses, em Berlim.

A caixa de medicamentos inteligente foi pensada “não como um produto com um manual gigante, em que os utilizadores têm de se adaptar à rotina, mas o contrário, uma solução que se adaptasse ao estilo de vida dos doentes“. Funciona assim: se, por exemplo, estiver a sair de casa sem a caixa de medicamentos, a aplicação alerta a tempo de ir buscá-la. Se for um medicamento que só toma à noite, a aplicação só alerta quando voltar a casa, à hora que definir. “Sabemos quando estás próximo da caixa, porque fizemos uma conectividade bluetooth entre a caixa e o smartphone e é nessa altura que vamos dar alertas, não quando estiveres a conduzir ou a beber copos no Bairro Alto”, explica Diogo.

Depois de dois programas de aceleração, mais de 60 entrevistas a possíveis clientes e 50 mil euros investidos pela Bayer, a Pharmassistant já conta com um grupo de protótipos, feitos em conjunto com uma empresa portuguesa, e, a partir de agora, vai ser sempre a crescer. O objetivo é criar um produto mainstream, que não tenha qualquer custo para o utilizador. “Estamos a identificar stakeholders que tenham interesse neste produto, como as farmacêuticas, que querem que as pessoas tomem o medicamento a horas, também para provar que o medicamento é eficiente, ou mesmo com companhias de seguros, que sabem que se alguém não tomar um remédio para a hipertensão que custa 10 euros, se calhar vai parar ao hospital, o que tem custos muito maiores”.

Para já, conseguiram uma parceria com a equipa de Product Supply Innovation da Bayer para o desenvolvimento de um teste piloto.

E já estão a criar emprego. Há pouco tempo, montaram um escritório em Lisboa, no espaço da Startup Lsiboa, para a parte de produto e desenvolvimento de software, e, em breve, esperam recrutar pessoas para as áreas de marketing e business development.

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